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24/01/2008 - 19h42

"Beijo," traz o humor negro do autor de "Fantástica Fábrica de Chocolate"

PATRICIA DE CIA
Colaboração para o UOL
Ele entrou para a história da literatura e é conhecido no mundo todo como autor de clássicos infanto-juvenis, entre eles "A Fantástica Fábrica de Chocolate" e "James e o Pêssego Gigante", ambos adaptados para o cinema. Mas o galês Roald Dahl (1916-1990) também escreveu histórias incríveis para adultos. São mais de 70 contos recheados de humor negro, lances macabros e finais surpreendentes, a maioria originalmente publicada em revistas como "New Yorker", "Esquire" e "Playboy" e depois reunida em livro. Onze deles estão de volta às livrarias brasileiras em "Beijo," ("Kiss Kiss", de 1960), com tradução de José Garcez Ghirardi.

Inquietante é um bom adjetivo para a prosa de Dahl. Pense num filme de Hitchcock: quando o protagonista entra em cena, é impossível prever aonde aquilo vai chegar. É a fusão de eventos trágicos e por vezes absurdos com a narração sem sobressaltos, de uma normalidade assustadora, que dá tanto impacto aos contos de Dahl e, de certo modo, faz com que continuem tão interessantes de ler.

Divulgação

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A inquietante narrativa de Roald Dahl é semelhante a Hitchcock, em que é impossível saber como um personagem vai se desenvolver

O protagonista, sempre dono de uma peculiaridade, de uma falha de caráter ou autor de uma trapaça, acaba se envolvendo em situações que beiram o surreal. Pode ser o professor de filosofia moribundo que aceita participar de uma experiência científica após sua morte ("William e Mary"), a mulher que ganha um casaco de peles do amante ("A sra. Bixby e o casaco do coronel"), ou o adolescente vegetariano que cresceu longe da sociedade e experimenta pela primeira vez um lombo assado ("Porco").

Em "Gênese e Catástrofe - Uma História Real", o leitor acompanha, condoído, o diálogo entre o médico e a mãe que acaba de dar à luz depois de ter perdido seus três primeiros filhos. "Acho que o senhor não sabe o que significa, doutor, perdê-los todos, todos os três, lentamente, separadamente, um por um. Eu ainda os vejo, o tempo todo." O real significado da cena dramática só é revelado quando a mãe decide batizar o recém-nascido de Adolfus e, logo em seguida, chega seu marido, o pai da criança, "Herr Hitler".

Dahl virou escritor depois de lutar na Segunda Guerra Mundial pela Real Força Aérea britânica. Em 1942, foi transferido para os Estados Unidos, como adido da embaixada em Washington, e lá começou a publicar, inicialmente relatando suas experiências de guerra. Só nos anos 1960, já de volta à Inglaterra, enveredou pela literatura infanto-juvenil. Recentemente, foi eleito o 16º mais importante escritor britânico do pós-guerra numa lista feito pelo jornal londrino "The Times". "Beijo," é o primeiro de quatro livros de contos de Dahl que a editora Barracuda planeja lançar.



"Beijo,"
Autor:
Roald Dahl
Tradução: José Garcez Ghirardi
Editora: Barracuda
Preço: R$ 39,00
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