UOL Entretenimento Notícias

11/01/2008 - 09h49

Tatsumi Orimoto faz performance com avós e o "Homem-Pão" em vernissage no Masp

GUSTAVO MARTINS
Da Redação
Conforme o prometido, o artista performático japonês Tatsumi Orimoto serviu uma refeição tradicional a 50 avós da comunidade nipo-brasileira na abertura para convidados de sua retrospectiva no Masp, na última quinta-feira (10). O que não estava no roteiro era uma recriação de sua famosa performance "Bread Man", na qual amarra pães ao próprio rosto e anda por ambientes públicos, a fim de captar o estranhamento dos presentes.

Greg Salibian/Folha Imagem
Tatsumi Orimoto durante a performance de "Bread Man" no vernissage do Masp
VÍDEO DA PERFORMANCE
FOTOS DO VERNISSAGE
"Nem sempre as pessoas gostam dessa performance", disse Orimoto ao UOL pouco antes do vernissage. "No Japão ou nos Estados Unidos algumas pessoas ficaram ofendidas, mas na Alemanha gostaram muito, vieram me cumprimentar. Em cada país é diferente."

Para aumentar a surpresa, uma das avós japonesas presentes também teve baguetes amarradas ao rosto e caminhou junto com o artista pelo salão de exibição (de acordo com a curadora Tereza de Arruda, é raro haver uma "Bread Woman"). Animado ao fim da performance, Orimoto puxou um grito de "banzai!" (exclamação de alegria em japonês) e disse que queria repeti-la no vão livre do Masp.

Não foi a primeira vez que o "Bread Man" deu as "caras" no Brasil. Sua estréia aconteceu na Bienal de São Paulo de 1991, e Orimoto repetiu a performance na Bienal de 2002.

A mãe e as avós
Antes da abertura da sua exposição no Masp --a primeira retrospectiva do artista fora do Japão, e a maior já montada até hoje--, Tatsumi conversou com as 50 avós para as quais serviria o "nara-cha-meshi", refeição tradicional japonesa com arroz cozido em chá verde, misoshiro, tsukemono (vegetal em conserva) e soja. Explicou que sua mãe estava muito doente para viajar até o Brasil, mas que ele estava feliz em poder homenagear 50 avós da comunidade nipo-brasileira pelas dificuldades que enfrentaram para se estabelecer no país.

A mãe de Tatsumi, Odai Orimoto, tornou-se uma figura central no trabalho do artista na metade dos anos 90. "Foi quando meu pai morreu e eu, sem mulher nem filhos, passei a cuidar dela", diz o artista, que na década de 70 foi assistente de Nam June Paik e participou do coletivo de arte nova-iorquino Fluxus. O grupo, que tinha Yoko Ono entre seus integrantes, pregava a não-separação entre vida e arte, preceito que Orimoto não ignora: "Grande parte da minha vida é cuidar da minha mãe com Alzheimer, e a arte é uma forma de me comunicar com ela", afirma.

Reprodução
"Small Mama + Big Shoes", de 1997
Reprodução
"Tire Tube Communication", de 1998
Odai, uma senhora de 88 anos e feições quase caricatas, protagoniza a série de retratos "Art Mama", que a retrata em situações cotidianas, não raro com um toque de nonsense -- como no retrato "Mamãe com uma pilha de jornais na cabeça", ou sua obra mais famosa, "Small Mama + Big Shoes", em que ela aparece com sapatos gigantes.

Tatsumi Orimoto diz que os quadros preferidos de sua mãe são o trio "Tire Tube Communication", em que ela aparece entre duas vizinhas, cada uma com um pneu em volta do pescoço. "Uma das vizinhas já morreu, ela gosta da lembrança da foto", explica o artista.

Para a curadora Tereza de Arruda, qualquer acusação de que Tatsumi estaria explorando a condição de sua mãe se baseia num mal-entendido. "Ao invés de condená-la ao isolamento, a um asilo, ele conseguiu dar-lhe uma vida nova, de reconhecimento internacional", afirma.

Na retrospectiva do Masp, além de 1.400 fotos e dez vídeos, estão 200 desenhos inéditos de Tatsumi Orimoto. "Eu desenho toda hora", diz o artista. "Fiz alguns vindo do Japão pra cá, inclusive."

"Caçadores de Sombras"
No mesmo evento, também estava sendo comemorada a abertura da exposição "Caçadores de Sombras", com o trabalho de 16 fotógrafos espanhóis. A curadora da mostra, Rosa Olivares, explica que a "sombra" no caso não se refere só ao fenômeno físico, mas ao fato de todos os artistas procurarem retratar algum grau de imprevisto ou incerteza em seus trabalhos.

Divulgação
Retrato montado por Germán Gómez
Germán Gómez, por exemplo, monta retratos ficcionais com partes dos rostos de diferentes pessoas. Já uma das fotos de Mario de Ayguavives, cuja marca é inserir detalhes insólitos em imagens realistas por meio do computador, mostra a favela ao lado da av. Roberto Marinho, em São Paulo, ornada com acabamentos de madeira e vidro de alto padrão.



NOVAS EXPOSIÇÕES NO MASP
"Tatsumi Orimoto", de 11 de janeiro a 06 de abril
"Caçadores de Sombras", de 11 de janeiro a 29 de fevereiro

Quanto: R$ 15 (inteira) e R$ 7,00 (estudantes), gratuito para menores de 10 e maiores de 60 anos
Endereço: av. Paulista, 1578
Informações: (11) 3251-5644

Compartilhe:

    RECEBA NOTÍCIAS

    Hospedagem: UOL Host