Para Luiz Marques, ex-curador chefe do Masp (de 1995 a 1997) e responsável pelo catálogo das obras do museu paulista, a polêmica sobre a autoria do quadro de Debret no acervo da instituição é apenas uma "opinião". Para ele, falta um "parecer formalizado" para que a atribuição seja alterada.
Esta semana, o bibliófilo e editor Pedro Corrêa do Lago declarou em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, que o quadro atribuído a Jean-Baptiste Debret (1768 a 1848) no acervo do Masp seria, na verdade, do italiano Augustin Brunias (1730 a 1796).
"Antes da publicação do catálogo, o Pedro Corrêa do Lago já havia me dito que achava que aquele debret não era um debret, mas não se altera a atribuição de um catálogo baseado em uma opinião", declarou Marques.
"Um catálogo não pode mudar as atribuições a cada edição, precisa ser conservador. Enquanto não houver uma publicação respeitada, um parecer formalizado sobre estudos do quadro que conteste a autoria, não há motivo para alteração", declarou Marques, que é professor de história da arte da Unicamp e especialista em pintura italiana do Renascimento e Barroco.
Na edição do catálogo de obras do Masp, Marques promoveu a alteração de atribuição de algumas obras do museu, entre elas a de um tintoretto. "O Masp tinha dois quadros atribuídos a Jacopo Tintoretto. Mudamos a atribuição de um deles para Domenico, o filho, baseados em um parecer de Rodolfo Palucchini, que era um especialista no assunto", conta o ex-curador.
Marques não quis comentar a afirmação feita por Corrêa do Lago à Folha de que historiadores de arte brasileiros são preguiçosos.