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20/12/2007 - 14h13

Especialistas avaliam a importância dos quadros de Picasso e Portinari roubados do Masp

Da Redação
Os quadros "O Lavrador de Café", de Cândido Portinari e "Retrato de Suzanne Bloch", de Pablo Picasso, roubados na madrugada desta quinta-feira do Museu de Arte de São Paulo (Masp), estão entre as obras mais importantes do acervo do museu e são extremamente representativas dos trabalhos dos artistas, segundo avaliação de especialistas e estudiosos de arte.

O furto de obras de tamanha importância tem peso sem igual na história dos museus do Brasil e deve respingar em outras instituições de arte do Brasil. Quem afirma é o professor de história da arte da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Nelson Aguilar, 62. "São obras de valor incalculável. Os ladrões levaram dois tesouros. Isso passa a imagem de incúria. Agora, museus internacionais vão negar o empréstimo de obras a instituições brasileiras. É uma catástrofe", disse Aguilar, que afirmou que o fato culmina, em sua avaliação, a fase de declínio em que a administração do Masp entrou. Aguilar foi curador-geral da 22ª e da 23ª Bienal de São Paulo (em 1994 e em 1996, respectivamente) e da quarta Bienal do Mercosul (em 2003).

O quadro "Retrato de Suzanne Bloch", pintura a óleo que mede 65 cm por 54 cm, faz parte chamada fase azul do pintor e escultor Pablo Picasso (1881-1973), em que o artista procura retirar a cor de seu trabalho, para diminuir o volume das figuras, e tenta não imitar os objetos. "É um momento muito importante do artista pois representa um prenúncio do cubismo", explica Elaine Caramella, professora-doutora em linguagem e valor artístico da PUC de São Paulo.

Essa passagem para o período cubista pode ser observada pela comparação do "Retrato de Suzanne Bloch" com a obra "O Atleta", também parte do acervo do Masp. "O roubo dessa tela é especialmente negativo, pois o museu não mais exibe a transição do artista de um expressionismo melancólico na fase azul para uma produção mais objetiva do cubismo em 'O Atleta'", avalia o curador e crítico de arte Agnaldo Farias.

O cubismo é uma das maiores marcas do pintor espanhol, mundialmente conhecido pela obra "Guernica", exposta no Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, em Madri, para o qual voltou dos EUA 26 anos atrás, com o fim da ditadura do General Franco na Espanha.

Já Cândido Portinari (1903-1962) é um dos artistas de maior importância do movimento modernista brasileiro das décadas de 1920 e 1930, ao lado de Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral. "Portinari se interessa por figuras do Brasil, criando um novo tipo de nacionalismo na nossa arte. O pintor também se destaca pela enorme produção, com cerca de 5.000 trabalhos ao longo de sua vida", diz a professora Elaine Caranella. "O Lavrador de Café", pintura que mede 1 metro por 80 centímetros e retrata um trabalhador negro em uma fazenda de café do início do século 20, está entre as obras mais conhecidas do artista e é importante representação desse interesse de Portinari pela temática nacional.

Para Agnaldo Farias, Portinari também se destaca por seu papel social e político. "Ele não estava interessado apenas na produção artística, mas refletia sobre o papel social do artista. Ele deu grande autenticidade à arte nacional", explica.

Na opinião da professora Caramella, o roubo ocorrido no Masp é marcante, por serem obras de grande valor de artistas extremamente importantes. "Picasso e Portinari são artistas muito conhecidos por serem grandes inovadores de suas épocas."

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