BERLIM, 21 Jun 2007 (AFP) - Uma obra da maior exposição de arte contemporânea do mundo, a documenta 12, exposta ao ar livre e batizada de "Template", do artista chinês Ai Weiwei, desmoronou após a forte tempestade de quarta-feira em Kassel (centro da Alemanha), o que aumentou sua popularidade.
A instalação, situada sobre o jardim diante de um dos pavilhões da mostra, era uma torre de 12 metros de altura constituída por marcações de portas e janelas de madeira provenientes de casas das dinastias Ming e Qing, destruídas pelos grandes projetos imobiliários realizados atualmente pela República Popular da China.
"Está melhor do que antes", declarou o artista de 50 anos, após contemplar os efeitos devastadores da tempestade sobre obra.
"Agora pelo menos é visível a força da natureza. E é por causa deste tipo de emoção que a arte se torna bela", disse Ai.
Ai Weiwei, que é um dos arquitetos do estádio de Pequim para os Jogos Olímpicos de 2008, tratou de tranqüilizar o público.
"Não há o que temer, sei diferenciar entre a arquitetura e a arte", afirmou.
"Por um lado, é uma catástrofe relativa, por outro, as ruínas permitem agora fazer muitas associações. E é exatamente isto o que a arte deseja: estimular o pensamento", destacou o curador da 12ª edição da Documenta, o alemão Roger Buergel.
Um especialista vai avaliar o valor da obra transformada. "O preço dobrou", comentou com humor Ai Weiwei.
O artista chinês atraiu a atenção na Documenta XII por outra obra. Ele convidou 1.001 chineses de diversas regiões e âmbitos sociais do país para visitar a exposição de Kassel.
Poucas destas pessoas já haviam saído da China. Em Kassel o grupo se hospeda nos dormitórios de uma antiga fábrica, onde o artista cozinha para os compatriotas e até corta os cabelos dos convidados.