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07/05/2007 - 23h00

Frase dita por Oscar Niemeyer, "a vida é um sopro" virou nome do filme, diz documentarista

Da Redação

Divulgação

Cena de "Oscar Niemeyer - A Vida É um Sopro"

Cena de "Oscar Niemeyer - A Vida É um Sopro"

No Bate-papo UOL com Convidados desta segunda-feira (7) Fabiano Maciel, diretor de "Oscar Niemeyer - A Vida é um Sopro", conversou com internautas sobre o documentário que fala da vida e obra do arquiteto brasileiro.

Através das obras de Oscar Niemeyer é possível falar um pouco da história do Brasil no século 20. "O filme traz imagens de arquivos, algumas inéditas, que ajudam a contextualizar o momento histórico. Além de registrar a transformação das cidades, a construção de Brasília, a ditadura e as lutas sociais", explicou Maciel durante o papo.

O diretor disse ainda que Niemeyer é o perfeito carioca. "Boa praça, bem-humorado, mal-humorado, desbocado, no fundo um homem muito generoso."

Quando questionado sobre o nome do documentário, Maciel explicou que era para se chamar "Lição de Arquitetura", mas percebeu que Niemeyer repetia muitas vezes e em diferentes situações a frase "a vida é um sopro". "Além da ironia de alguém com 99 anos dizer que a vida é um sopro", disse Maciel.

Leia a seguir a íntegra do bate-papo que contou com a participação de 185 internautas.


(08:05:58) fabiano maciel: Boa noite!

(08:07:04) lalu: Oi Fabiano, tudo bem? Fale sobre este documentário? Por que um filme sobre o Niemeyer?
(08:08:03) fabiano maciel: lalu, porque a arquitetura do Niemeyer e de outros arquitetos modernos contemporâneos dele é muito melhor do que vemos sendo construído nas cidades brasileiras. Basta andar por São Paulo e Rio para entender...

(08:08:46) clara: Quanto tempo você levou para elaborar este filme e como vai ser este debate na quarta?
(08:09:45) fabiano maciel: Clara, o projeto do filme começou em 97. No debate de quarta-feira vou explicar um pouco do processo... Pesquisa, roteiro, filmagens, como foi entrevistar o Niemeyer, etc.

(08:10:04) paula: Oi Fabiano, tudo bem? O que mais te impressionou na história do Niemeyer?
(08:11:00) fabiano maciel: paula, foi a capacidade dele conseguir conciliar trabalho, família e diversão com os amigos. Isto é muito difícil e ele não abriu mão de nada.

(08:11:15) _homem _cam22: Qual foram seus projetos?
(08:12:12) fabiano maciel: cam22: além do Niemeyer fiz "Vaidade", documentário sobre revendedoras da Avon nos garimpos do Pará. E "Carrapateira" sobre uma cidade na Paraíba que quando o homem pisou na Lua era a cidade mais pobre do Brasil.

(08:12:23) _homem _cam22: Quem te inspirou a seguir carreira de diretor? Você teve ajuda de alguém?
(08:13:30) fabiano maciel: cam22: na verdade queria trabalhar com cinema. Não tive ajuda especial de ninguém, comecei cedo como estagiário numa produtora. Claro que muitas pessoas ajudavam, mas ajudavam porque eu também correspondia ao trabalho exigido.

(08:13:35) _homem _cam22: O que mas lhe marcou nas suas histórias?
(08:14:19) fabiano maciel: cam22; isto é complicado, são 15 anos fazendo documentários e programas de tv. Alguns ótimos, outros, nem tanto...

(08:14:26) laura: O Niemeyer acompanhou detalhadamente o documentário?
(08:15:36) fabiano maciel: laura: não. Na verdade, em 98 fizemos quatro dias seguidos de entrevistas com ele. Depois, como o dinheiro não saía, continuei visitando o escritório, duas vezes por ano até 2003. Ele viu um primeiro corte em 2004 e disse: está bom !

(08:15:39) laura: Como é o Niemeyer pessoalmente?
(08:16:38) fabiano maciel: laura: ele é o perfeito carioca, no melhor dos sentidos, boa praça, bem-humorado, mal-humorado, desbocado, no fundo é um homem muito generoso.

(08:16:55) _homem _cam22: que conselho vc daria pra pesssoas que querem seguir esse ramo ou coisa do tipo
(08:17:45) fabiano maciel: cam22: persistência, mas isto é para qualquer coisa. E, no caso de documentários: pesquisar muito antes de começar a filmar. Temos que saber o máximo possível sobre o tema que vamos abordar.

(08:17:52) _homem _cam22: Alguma vez bateu aquela tristeza de desisti
(08:18:48) fabiano maciel: cam22: ainda não desisti de nenhum projeto. A dinâmica é ter no mínimo quatro projetos em andamento. Se o dinheiro de um não sai, o de outro aparece.

(08:18:56) laura: Quais são seus próximos projetos?
(08:19:50) fabiano maciel: laura: "Sambalanço", sobre músicos de baile no Rio de Janeiro dos anos 60 e "Mestres da Guitarrada", um conjunto de velhinhos geniais do Pará

(08:20:55) laura: Como é o processo de criação do Niemeyer?
(08:23:07) fabiano maciel: laura: acho que você ainda não viu o filme, mas vamos lá: quando um arquiteto recebe uma proposta ele tem que analisar várias coisas: o terreno, o prazo para entrega, o orçamento que vai ser gasto, as condições naturais (sol, ventos, clima, etc). Niemeyer diz que quando termina um projeto, ele senta e escreve um texto sobre o trabalho. Se o texto não estiver bom, ou seja, a defesa do projeto, é porque o projeto não está bom.

(08:23:23) grasielle: o filme ja tah em cartaz??
(08:23:53) fabiano maciel: grasielle: está. Desde o dia 20 de abril. Em São Paulo está no cine Bombril, no Conjunto Nacional que fica na avenida Paulista.

(08:24:05) _homem _cam22: Alguem ja lhe disse que vc nao iria conseguir, e hj como funciona a vida de um diretor? ja pintou proposta pra fora?
(08:25:45) fabiano maciel: cam22: não, pelo menos na minha frente não. Alguns documentários meus já foram vendidos para televisões européias. Quanto a ser chamado para trabalhar fora, só para filmar coisas no Brasil, para tvs estrangeiras. Não é fácil abrir este mercado.

(08:25:58) moreninha: como e para vc escrever sob Oscar Niemeyer
(08:27:34) fabiano maciel: moreninha: não escrevi sobre ele, fiz um documentário sobre a obra dele. Foi um desafio, pois não sou arquiteto, e também não queria que o filme funcionasse somente para arquitetos. Acho que isto eu consegui.

(08:27:53) moreninha: ele e mesmo o melhor do mundo, vc nao acha?
(08:29:00) fabiano maciel: moreninha: ele é o nosso maior arquiteto, é também o último dos grandes mestres do modernismo que está vivo ainda. mas existem ótimos arquitetos lá fora.

(08:29:05) Lavínia: Niemeyer deve, pelo seu lado atístico desenvolvido, ser uma pessoa facinante. O que mais te chamou a atenção em sua personalidade ?
(08:29:31) fabiano maciel: lavínia: a generosidade

(08:29:40) Renato: Fab, como está a bilheteria do filme?
(08:30:49) fabiano maciel: renato: está bem. Tivemos sete mil pessoas nas duas primeiras semanas. Temos que considerar que ele está em cartaz em somente um cinema por cidade (menos brasília e porto alegre) e em um só horário.

(08:31:10) Jornalista (F): Boa noite. Qual parte do filme que você mais gosta e por quê? Um abraço Gabrielle
(08:32:03) fabiano maciel: gabrielle: no final, quando ele fala que o homem é muito pequeno diante do Universo e que não há razão para este caos todo. A fala dele já responde

(08:32:34) Naninha: gostaria de detalhes históricos do documentário para que meus alunos o assistam
(08:34:47) fabiano maciel: naninha: o filme é sobre Niemeyer, mas falar da vida dele é falar um pouco da história do Brasil no século 20: a transformação das cidades, a construção de Brasília, a ditadura, as lutas socias. O filme tem muitas imagens de arquivo, algumas inéditas, que ajudam a contextualizar o momento histórico.

(08:34:55) anita: De onde veio o nome do documentário?
(08:36:02) fabiano maciel: anita: o filme ia se chamar 'lição de arquitetura". Na montagem percebi que Niemeyer repetia esta frase diversas vezes em situações diferentes. Mudei o nome. Ao mesmo tempo é uma brincadeira, alguém com 99 anos dizer que a vida é um sopro

(08:36:12) moreninha: o que vc acha de mais interesante no seu documentário?
(08:37:10) fabiano maciel: moreninha: acho que o filme consegue mostrar a arquitetura dele de uma maneira bem descontraída. Quem não é arquiteto vai entender o que ele quis fazer.

(08:37:26) Lavínia: Como foi participar do dia a dia do escritório do Niemeyer ? Teve algo que te chamou a atenção ?
(08:38:47) fabiano maciel: lavínia: as pessoas imaginam o escritório dele como um lugar cibernético: na verdade é num prédio antigo na praia de copacabana. Aconchegante. Mas ar-condicionado e computador só entraram lá recentemente.

(08:38:54) Diego: Fabiano, boa noite. Sabemos que trabalhar com cultura no Brasil nunca é fácil e até mesmo o cinema nacional, apesar de ter ganhado muito espaço, ainda não atrai uma fatia do público. Como fazer então para tornar um documantário num produto cultural atrativo e que alcance o grande público desse país?
(08:40:22) fabiano maciel: diego: boa noite. Acho que não nos falta produtos atrativos. Temos bons filmes, bons discos, boas peças. a população não tem é dinheiro. Faz a conta aí, quanto custa o cinema no shopping, mais a pipoca, a coca-cola...

(08:40:36) Brasil: Aki no brasil vender filmes como esse é muito dificil pq a população não se interesa
(08:42:24) fabiano maciel: brasil: discordo. Semana passada teve sessão num cinema no subúrbio do Rio, em um bairro de pessoas pobres. Os ingressos custaram 3 reais. A sessão estava lotada e ninguém saiu da sala. Mas é claro, documentários sempre tiveram um público menor. Isto em qualquer lugar do mundo.

(08:42:50) Lê....: embora saibamos de todo seu talento e fama...como surgiu a ideia de um filme sobre esse fenômeno ???
(08:44:03) fabiano maciel: lê: a idéia deste filme surgiu numa época em que Niemeyer estava sendo muito criticado. Muita gente considerava a arquitetura dele ultrapassada. O filme teve um pouco este papel, de mostrar a arquitetura moderna para as novas gerações

(08:44:18) Mies Van der Hoe: A arquitetura de Niemeyer eh muito mais monumental do que funcional... vc concorda com essa afirmação????
(08:45:47) fabiano maciel: mies: mais ou menos. em alguns casos talvez. mas muita gente esquece que alguns prédios dele tem mais de 50 anos, e que na época não havia a tecnologia que há hoje.

(08:46:10) duff: ola fabiano boa noite. sou super fâ do OSCAR, gostaria de saber se tudo q esta no filme foi autorizado por ele.
(08:47:24) fabiano maciel: duff: ele não teve que autorizar ou não. Ele concordou em ser entrevistado para o documentário. É claro que era, na sua proposta um filme de alguém que gosta da arquitetura do Niemeyer.

(08:47:43) Diego: Olá, Fabiano, boa noite. O documentário que você dirigiu tem uma temática maravilhosa. Um arquiteto que enche de orgulho qualquer brasileiro. O que vc acha que deve ser feito para que esse tipo de filme chegue mais perto do povo brasileiro, tão alheio muitas vezes a sua própria história?
(08:48:35) fabiano maciel: diego: estamos criando redes de exibição alternativas: cinemas nas escolas, universidades, etc.

(08:49:18) Mies Van der Hoe: Quais das obras do Dr. Oscar mais te impressionou????
(08:50:08) fabiano maciel: mies: a Casa das Canoas, no Rio de Janeiro. A sede do Partido Comunista em Paris. A universidade de Constantine na Argélia e o Palácio do Alvorada em Brasília.

(08:50:12) Lavínia: Já lí várias reportagens falando que Brasília foi um erro, no sentido de que foi projetada para mudar o comportamento das pessoas. O que você acha desse projeto ?
(08:51:58) fabiano maciel: lavínia: Brasília tem erros e acertos. Foi feita numa época em que ainda existiam utopias. Mas com erros e acertos, Brasília é uma realidade e fez bem ao Brasil. Também devemos lembrar que ela foi projetada para ter 500 mil habitantes no ano 2000. Muito antes, ela já tinha mais de um milhão. Brasília sofreu o mesmo problema de todas as grandes cidades brasileiras.

(08:52:17) Mies Van der Hoe: Vcs registraram as obras de Niemeyer no exterior ... ou so as executadas no Brasil????
(08:53:13) fabiano maciel: mies: filmamos obras na França, na Itália, na Argélia e nos Estados Unidos. no Brasil filmamos em Brasília, Belo Horizonte, Ouro Preto, São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói, Volta Redonda e Curitiba.

(08:53:28) Selma: Ele fala sobre o envelhecimento dele, e se isto de alguma forma lhe propicial algo diferente no criar... se ele faz alguma ligação destas duas coisas?
(08:54:10) fabiano maciel: selma: Acho que não. O Niemeyer não gosta da velhice. Mas ele tem medo de morrer. Então se ele parar de trabalhar...

(08:54:16) Renato: quais foram seus maiores desafios em fazer esse documentário, da idéia ao lançamento?
(08:55:28) fabiano maciel: renato: o primeiro desafio era conseguir bons depoimentos do Niemeyer. Isto foi o mais difícil. Depois, o dilema de todo documentário: conseguir dinheiro para filmar, montar, comprar imagens de arquivo, arranjar distribuidor, lançar o filme, etc...

(08:55:35) Mies Van der Hoe: Qual dos momentos do filme te proporcionou mais orgulho????
(08:56:29) fabiano maciel: mies: ver parisienses de direita falarem que o prédio do partido é bonito.

(08:56:31) thomp: fabiano, vc disse que o projeto começou numa época em que o oscar estava sendo criticado, que tipo de críticas eram essas?
(08:58:10) fabiano maciel: thomp: que a arquitetura dele era anacrônica, que não funcionava, que era ultrapassada. agora compare o Copan e o Ibirapurera (feitos nos anos 50) com estes prédios imitando Paris dos anos 20 que são construídos a rôdo em moema e me diga qual deles é anacrônico.

(08:59:01) Nilton Cesar: Na sua opinião há outro brasileiro da envergadura de Niermeyer?
(09:00:32) fabiano maciel: nilton, tivemos vários: Tom Jobim, Pelé, Machado de Assis, João Gilberto, entre outros
(09:03:48) fabiano maciel: Pessoal, Boa Noite e obrigado!! Assistam ao filme. Se quiserem mais informações entrem em no site: www.avidaeumsopro.com.br
(09:04:10) Mayana/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Fabiano Maciel e de todos os internautas. Até o próximo!

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