! SP Arte: no 3º debate, Dudi Maia Rosa diz que se apaixonou pela cor com Walt Disney - 22/04/2007 - UOL Diversão e Arte
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22/04/2007 - 23h30
SP Arte: no 3º debate, Dudi Maia Rosa diz que se apaixonou pela cor com Walt Disney
Da Redação

Divulgação

Detalhe de obra do artista plástico Dudi Maia Rosa, que debateu a estrutura da cor

Detalhe de obra do artista plástico Dudi Maia Rosa, que debateu a estrutura da cor

O entendimento do artista plástico Hélio Oiticica (1937-1980) sobre a "estrutura da cor", ou seja, seu papel como elemento em um "espaço ativo" e inserido no tempo, foi o tema proposto como ponto zero do terceiro debate da SP Arte no sábado, 21. A discussão, porém, passou pouco por expedientes teóricos elaborados por Oiticica, como o de atribuição de significado da cor ligada a um pensamento ou atitude do artista, e não apenas com a finalidade de preenchimento do desenho. Deteve-se antes nas relações dos artistas plásticos Dudi Maia Rosa e Fábio Cardoso com suas atuais escolhas artísticas. A conversa dos dois foi pontuada por comentários do crítico Ronaldo Brito.

Dudi Maia Rosa, primeiro a falar, descontraiu a platéia logo no início, ao lançar a questão à mesa: "qual sua cor preferida?" e compartilhar com os espectadores a apreensão em participar do debate. "Até que eu percebi que tenho uma cor no nome: rosa! Meu avô era italiano e se chamava Salvatore di Maggio Rosa. Vejam vocês, 'maio de rosa', já é uma paisagem!" Maia Rosa afirmou que lida com a cor há 40 anos. "Lembro-me de uma vez, ainda na escola, na hora do recreio, quando 700 alunos vaiaram um colega que usava meias vermelhas. A cor é anímica, conflitante, passa pela emoção. Mais tarde, tive uma camisa vermelha que também provocava reações agressivas", relembra. Em tom de confissão, revelou que sua primeira paixão pela cor surgiu com os desenhos animados de Walt Disney. A discussão provocou uma contribuição involuntária de Fábio Cardoso ao debate de quinta, 19, sobre novas tecnologias. Observou Cardoso: "no computador, hoje, se vê mais cores que o [pintor francês Henri] Matisse [1869-1954] viu em sua vida inteira."

Cardoso, que na mesa substituiu o artista Cildo Meireles, explicou seu presente antagonismo com Dudi: "tenho usado apenas o preto, o que facilita a escolha. Estava com a sensação de que a cor me distraía". Ele vem pesquisando a dinâmica dos líquidos sobre a tela, espalhados com objetos variados. "Há escolhas que a cor te obriga a fazer que são malucas. Quando estive na Capela Sistina, em Roma, ela estava semi-restaurada, e me parecia que a parte 'limpa' era falsa. O rebaixado me parecia mais dramático", comentou, resgatando citação anterior de Dudi ao francês Georges Braque: "amo a regra que corrige a emoção".

A Ronaldo Brito coube a intervenção que deu o caráter histórico à discussão. "É uma questão moderna popularizar e singularizar o entendimento da cor. O Fábio está em uma luta de não se deixar vencer pelos códigos vigentes da cor", processo este que vem acontecendo desde o século 19. O crítico explicou que a cor deixou de ser atributo, adjetivo complementar ao desenho para "se emancipar". "Cézanne dizia que era preciso desenhar com a cor. Isso já é a estrutura volátil do homem moderno. A cor é o pensamento da cor." E complementou com nova alusão a Matisse: "ele dizia que ninguém sabe desenhar. Da mesma forma, ninguém sabe o que é a cor. Ninguém sabe o que é a arte". Retomando o eixo inicial, Brito falou da idéia de Hélio Oiticica sobre a interação da cor. "Pensar o mundo pela cor é pensar o mundo que não tem limites fixos, que está em expansão. Ele participa dessa 'utopia' da cor como um agente liberador, em um resto da utopia bauhausiana de espiritualizar o cotidiano e de haver um encontro com uma sociedade de massas." O crítico recordou uma conversa anedótica com Iberê Camargo em que o artista gaúcho dizia não gostar da cor, ao que teria Brito retrucado: "mas ela gosta de você!". "Há artistas que precisam entrar em conflito com a cor para poder encontrá-la. Tudo tem cor. Até mesmo o negro, não é menos cor que o amarelo". E Dudi Maia Rosa buscou na música a possível síntese de uma discussão sobre a busca de um negro perfeito: "John Cage queria experimentar o silêncio absoluto. Quando encontrou uma câmara completamente fechada, escutou as batidas do seu coração. O brilho da memória pode ofuscar a busca desse valor absoluto." (Thompson Loiola)
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