 |
20/04/2007 - 20h30
Participantes levantam bons temas, mas não se enfrentam no debate da SP Arte
Da Redação
|
Tuca Vieira/Folha Imagem
José Resende fez o contraponto discordando dos impactos da novas tecnologias na produção artística
|
Teve inicio na última quinta-feira (19) o ciclo de debates da SP Arte, feira que acontece até o domingo (22), no Pavilhão da Bienal, em São Paulo. A mesa-redonda de abertura sobre "A arte e os Poderes da Imagem" foi mediada Tadeu Chiarelli, crítico e historiador de arte, e teve participações de Agustín Pérez Rubio, curador do Musac - Museo de Arte Contemporânea de Castilla e Leon (Espanha), e do artista plástico José Resende. O debate de quinta pretendia abordar em que medida a produção artística atual, que em boa parte lida com novas técnicas de reprodução da imagem - seja na fotografia, no vídeo ou nos meios interativos - é capaz de discutir seus desdobramentos estéticos e suas implicações ideológicas. Mas apesar de bons temas, não houve propriamente um debate entre as diferentes posições. O artista plástico José Resende iniciou sua fala negando que o desenvolvimento de tecnologias e suportes midiáticos provoque uma reformulação substancial da arte. Resende defendeu que o surgimento de novas técnicas não transforma nem causa novos dobramentos na produção artística, apenas aceleraria - ao criar novas redes de circulação como amplo acesso à informação- a mobilidade prática de algumas obras. Para ele, estas transformações aumentam o papel do curador e dão força à concepção de exposições-espetáculo, ampliando o sistema da arte e, em contrapartida, aumentando também a produção do "lixo cultural". "Nesse novo mercado, o processo de legitimação de um artista, que podia levar décadas, pode ser acelerado e ocorrer em poucos meses. Antes, no século 20, havia correntes de pensamento que acabavam se tornando uma referência para outras gerações. O que se vê agora, com essa aceleração, é o surgimento de 'tendências', como na moda. E aí eu percebo um problema, já que arte em sua natureza lida com a estranheza enquanto mercados, como de moda, marketing e mídia, trabalham com identificações", disse o artista Resende. O crítico Tadeu Chiarelli, da USP, falou sobre o processo de apropriação das imagens. Para ele, o uso de novas técnicas de reprodução pode sugerir o princípio de uma nova uma cultura visual. Chiarelli exemplificou sua tese com a exibição de slides de trabalhos da artista Anna Bella Geiger - que na década de 60 trabalhava com xerox fazendo leitura de pinturas icônicas da história do Brasil como "Primeira Missa no Brasil" (1860), de Victor Meirelles. Agustín Pérez Rubio abordou o papel do curador, respondendo aos comentários de José Resende, e comentou contradições trazidas pelas novas técnicas e mídias à produção de arte. Para ele, a fotografia digital e o vídeo têm um papel na democratização da imagem e na desmistificação da sua função documental. O curador espanhol teceu uma crítica aos artistas contemporâneos que acabam optando por tentar reproduzir uma estética narrativa como a do cinema e citou o termo videoarte como um complicador: "técnica não é a obra. A arte está no pensamento, a técnica pode ser somente a ferramenta", avaliou. Rubio criticou ainda a utilização consciente da imagem para dar um cunho político a uma obra, abordagem que segundo ele voltou a ser recorrente. "Me preocupa ver numa galeria, num contexto de 'isso é arte', a mesma fotografia de guerra publicada em um jornal, e mais ainda quando se faz séries de 2 ou 3 reproduções - a preços exorbitantes - tentando dar caráter único a uma imagem cujo discurso é o de democratização da informação", disse.
- Mais
- Feira SP Arte chega à terceira edição com panorama variado e discussões sobre o tema
|
|