! Cronicamente Viável: Para Daniel Piza a tendência é que a leitura na Internet seja rápida; leia a íntegra - 17/04/2007 - UOL Diversão e Arte
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17/04/2007 - 18h48
Cronicamente Viável: Para Daniel Piza a tendência é que a leitura na Internet seja rápida; leia a íntegra
Da Redação

Adriana de Barros/UOL

Jornalista Daniel Piza participa do debate no CCBB

Jornalista Daniel Piza participa do debate no CCBB

Na terça-feira, 10 de abril, o Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, apresentou a segunda edição do programa "Cronicamente Viável", que este ano tem como tema "A Informação e a Imaginação na Internet".

O debate "Os Portais de Informação e os Jornais Online" contou com a presença dos jornalistas Márion Strecker, diretora de Conteúdo do UOL, e Daniel Piza, editor-executivo do jornal O Estado de S.Paulo.

O encontro aconteceu das 19h30 às 21h30 e foi mediado por Marcelo Rubens Paiva e Marcelo Tas.

Leia abaixo a íntegra da participação do jornalista Daniel Piza

Uso da Internet como ferramente de trabalho

O meu primeiro contato com a internet foi quando eu trabalhava justamente na Ilustrada na Folha e decidiram colocar em 1995 um computador ali no canto da editoria para a gente começar a xeretar a internet. Naquela época era a internet a manivela, levava duas horas para carregar uma página, parecia estranho aquele admirável mundo novo que levava duas horas para aparecer na sua tela. Mas de qualquer forma eu me tornei um internauta apaixonado de primeira hora tanto que no ano seguinte cometi o desatino de publicar um romance juvenil em que dois adolescentes trocam e-mails sobre assuntos diversos, garotas principalmente, e a história é toda contada através dos e-mails deles. Mais para frente eu comecei a fazer alguns projetos de internet, participar de alguns sites como colaborador.

Fui montar o meu site no ano 2000, que é um site atualizado apenas duas vezes por semana, mas onde eu posso colocar nada menos que os 2.000 e tantos artigos que eu fiz. É um site que funciona como atualização, mas também como acervo para mim e para o usuário. E lá existia um proto blog que eu batizei com o horrível nome de Clipping que era um pouco links para assuntos interessantes, comunidades interessantes da internet. O blog mesmo propriamente dito fui começar a ter há um ano quando fui cobrir a copa da Alemanha para o Estadão meio que a forceps colocamos blogs no portal do Estadão pela primeira vez, o meu blog, o blog do Ricardo Anderaos, que é outro ex-colega da Folha, e o Bate Pronto que é um blog coletivo da equipe de esportes que está no ar até hoje, assim como o meu. E nós fomos meio que pioneiros tardios, extremamente tardios de blogs, no Estadão.

O que sempre me fascinou na internet como leitor e como autor é que ela é um meio de comunicação ao mesmo tempo de massa e individual. Acho que a internet muda um pouco a maneira de produzir e de se consumir informação. E nós ainda estamos buscando as categorias certas para explicar este mundo em transformação muito veloz. Ela tem a instantaneidade que a televisão ou o rádio têm e ao mesmo essa coisa horizontal de on line, na hora, dar a notícia instantânea, superficial ao mesmo tempo e veloz, de uma forma até às vezes dispersiva. E ao mesmo tempo ela é vertical, você pode se aprofundar em um tema, a partir daquela notícia se aprofundar naquela informação, entrar em uma comunidade de debates e participar destes debates ou entrar em um blog e ser um usuário deste blog e deste blog entrar em um RSS e ser avisado de quando um dos temas que lhe interessa é abordado pelo blogueiro. Então eu tenho comentaristas do blog que são mais rápidos do que eu para reagir a um comentário de um outro e assim estabelecer uma conversa em um ritmo muito alucinado, muito veloz, e às vezes com muitos desperdícios, mas ao mesmo tempo único. É uma forma de interação que os outros meios não te permitem. Não a interação da simples enquete, aquela interação que a televisão faz, dos telefonemas, que gera muito dinheiro, mas que não passa de uma enquete. Mas a interação pode ser uma interação exclusiva de idéias. Então quando a gente fala de internet falamos de uma maneira meio genérica que não tem a ver com a internet. A internet é muito variada, complexa, caótica, anárquica.

E você encontra todo tipo de site, de portal, de gêneros, de blogs. Tem blogs de humor como o Kibe Loco, tem blogs de criaçãopoética ou ficcional. O blog do poeta Fabricio Carpinejar por exemplo é um blog de crônicas a partir do cotidiano dele ou de contos ou de poesias. É um blog literário, um blog criativo, um blog de imaginação literária. Tem um blog jornalístico, como o meu, um blog preocupado centralmente com informação, com reação aos fatos, com comentários aos fatos. Você pode ter um blog muito mais nesta linha do diário pessoal, do diário on line, de todos os tipos, das Brunas Surfistinhas ao cara que tá lá no Alasca escrevendo sobre o seu cotidiano. Então internet é muito fascinante por isso, por sua abertura. Então toda hora que tentam catalogar a internet, dizendo o que ela é e o que ela não é eu fico com muito receio de embarcar neste discurso. Como usuário da internet, eu só tenho a agradecer às coisas que ela me oferece. Eu completei dez anos agora de cliente da Amazon, a grande livraria virtual da internet, que não é só mais uma livraria. Eu compro muitos discos lá, tem um problema de serem taxados aqui quando chegam na alfândega ao contrário dos livros, mas um dia vão acordar para isso. Vídeos, DVDs, séries que eu tinha visto na TV Cultura ou na TV inglesa há muitos anos atrás e que eu posso comprar na forma de DVD. Ou mesmo sites como o próprio Youtube que recentemente quando o Puskas, aquele grande jogador húngaro, morreu e obviamente eu não estava vivo quando ele jogou e as televisões têm muito pouco acervo do jogador e você vai ao Youtube e tem uma pequena aula, uma pequena antologia do que o Puskas fez como jogador. Então eu acho isso absolutamente fascinante. A internet como ferramenta de pesquisa é fascinante. E a internet como correio, eu posso trocar e-mails de amigos meus de vários cantos do mundo, pessoas que eu conheci em coberturas de eventos internacionais com os quais me relaciono até hoje ou como instrumento de trabalho porque boa parte do que eu produzo eu envio por e-mail aos locais que me pedem estes textos.

Como jornalista eu também só tenho a agradecer a internet. Eu também tinha muito medo da internet como a Márion disse. Eu recentemente li em algum blog ou site que os jornalistas estão muito tristes com esta perspectiva do fim do jornal impresso, do jornal de papel. Eu não estou muito feliz com as possibilidades que estão se abrindo, pois eu trabalho em um jornal de papel, por enquanto não foi fechado, até hoje de manhã estava aberto. Trabalho com rádio, TV, faço blog na internet, tenho o meu site onde as coisas que escrevi me pertencem, elas estão lá para serem acessadas e qualquer publicação em que eu tenha trabalhado nestes 16 anos de carreira. Eu acho que a internet é muito boa para os jornalistas como abertura de possibilidades, é boa para o usuário e é boa no sentido que ela tem o seu mundo específico e é um mundo interessante, de você entrar como internauta e como blogueiro, como autor de textos que são vinculados na internet. O que mais me agrada em um blog e acho que a opinião do Marcelo Tas é a mesma é o fato de ele ser multimídia. É uma coisa que sempre me interessou muito. Eu nunca me interessei só por literatura, eu me interessei muito por outras áreas, as áreas visuais ou por cinema, por roteiros, são coisas que me interessam muito.

E a internet é muito interessante, no blog por exemplo você colocar áudio, vídeo, buscar imagem para ilustrar o seu comentário, fazer link para outros blogs ou sites. É um instrumento muito rico que não se encerra ali nas 15, 20 ou 30 linhas que você escreveu com a sua opinião para um determinado assunto. E além disso ao contrário do que muita gente pensa, fazer blog dá um trabalho danado, é uma espécie de escravidão virtual, são 24 horas por dia. Até porque pelas malucas leis tupiniquins nós como donos de blog também respondemos ao que as pessoas dizem em nosso blog. Então se alguém entra lá xingando, como aconteceu comigo uma vez, eu fui dormir a meia noite e acordei às oito da manhã, entre a meia noite e oito da manhã dois sujeitos haviam quebrado o pau porque um chamava o outro de judeu etc. e o outro respondia muçulmano etc. Eu fiquei em pânico, tive que ficar limpando, fiquei horas deletando, apagando cada um daqueles comentários, como apago todo comentário insultuoso que apareça seja a mim ou aos outros participantes do blog.

Aconteceu de algum blogueiro ser processado porque há ofensas trocadas entre os participantes?

Já aconteceu. Eu não me lembro exatamente do caso. Foi decidido em caráter temporário. É que você é co-responsável ao que dizem em seu blog, porque além de autor você é mediador do seu blog. E a diferença do blog para as outras formas de comunicação via internet é que ele é uma conversa, muito mais que um diário ele, é uma conversa. Se você escreve uma coisa, faz um comentário, coloca lá um post, e deixa os comentários rolarem, além de não participar como mediador, você não está participando como um verdadeiro blogueiro. Porque na verdade o frequentador do blog fica doido com a ausência do autor. Se você faz um comentário, a pessoa entra lá, rebate e você não aparece, não é blog, você só está jogando um texto na internet. Para mim blog é conversa. Então as pessoas falam nossa que paciência que você tem para responder, mas eu respondo, assim como a gente vai responder aqui as perguntas e eu espero que não ofensivas como muitas vezes acontece nos blogs. Mas eu entro lá e respondo, inclusive as mais agressivas. E é engraçado que você às vezes desarma as pessoas, você responde super placidamente, elegantemente e aí o cara cai em si e vê que está em um espaço público na verdade, porque as pessoas se esquecem que aquilo é um espaço público. Respondo dentro dos comentários. Tem posts que vão de 200 a 400 comentários principalmente quando se trata de política e futebol que são reações Fla-Flu. As pessoas entram da forma mais passional e polarizada possível.

O que é blog jornalismo

Eu acho que existem blogs jornalísticos. Eu classifico o meu blog como um produto jornalístico. Ele é uma extensão do meu trabalho jornalístico sem a menor sombra de dúvida, como boa parte de meus livros também. É outra mídia, mas é uma forma de jornalismo à medida que estou preocupado em passar a informação, reagir aos fatos e comentar estes fatos. É um blog quente como se fala na gíria do jornalismo. Acontece um fato e eu tento comentá-lo o mais rápido possível, procurando assimilar bem, segmentar bem, o que eu vou dizer para não sair dizendo qualquer coisa e depois pagar o mico. Mas eu tento reagir muito rapidamente, acho que o blog é ter um pouco disso que a internet e a televisão têm, de fazer comentário ao vivo praticamente. A sua chance de queimar a língua é grande. O blog tem que ser encarado um pouco como isso. Eu pelo menos no tipo de blog que eu me propus a fazer e eu vejo muitos que são feitos assim. Há blogs que não são assim, há blogs que são temáticos, sobre cinema, ele não tem aquela audiência a reação ao fato, mas é um blog de crítica jornalística de cinema.

Agora há blogs que são diários, de ações poéticas como eu disse. Eu acho que alguns blogs são uma forma de jornalismo. E acho que é uma forma de jornalismo bem interessante por esta interação, muitas vezes sou corrigido pelos comentaristas tanto de um erro que eu cometa de informação ou de grafia ou do que seja. Muitas vezes eu complemento a minha idéia, faço até um PS no post, escrevo um outro post para explicar melhor porque estou vendo que grande parte das pessoas que estão lendo não estão captando. E eu acho que isso é muito a cara da internet. O blog pegou muito na internet porque ele tem isso. Você está falando com um público muito grande, uma visitação de 10 mil a 15 mil acessos por dia dependendo do período. Comentários que às vezes vão a centenas, ele é lido por muita gente, você está ali sendo observado por muita gente, mas ao mesmo tempo tem essa troca individual, você está reagindo àquele indivíduo. E com o passar do tempo, meu blog vai completar um ano agora, foi formando uma espécie de comunidade em torno daqueles assuntos que me são mais caros. Então é essa idéia de se formar uma comunidade, uma comunidade que se bate que se odeia como toda comunidade. Não tem nenhum caráter religioso ou proposta de harmonia virtual aqui. É comunidade de pessoas interessadas em debater temas comuns. E com o tempo aqueles pára-quedistas que entravam para fazer um Pear Harbor, que entravam para acabar com o negócio, foram sumindo e foram ficando os comentaristas que interessa. Acho que o blog é muito a cara da internet e acho que essa questão do jornalismo impresso, o papel do papel é uma falsa questão. Acho que o jornalismo de papel vai continuar tendo o seu público, acho que o jornal diário é quem está mais sentindo essa diferença.

O jornalismo de revistas semanais continua muito forte, até no caso brasileiro, se você pegar uma revista como a Veja, não perdeu nestes últimos dez anos de internet a sua circulação. Os jornais diários sim. E outra coisa que eu acho é que de certa forma algumas necessidades que eu tinha como jornalista lá no início da minha carreira a internet ajuda a resolver. A internet ajuda recuperar um jornalismo autoral, um jornalismo livre, amador no bom sentido da palavra, que eu acho interessante até para tirar um pouquinho da arrogância da chamada grande mídia. Mas a grande mídia também não vai acabar, ela continua aí porque ela mesma está assimilando este mundo virtual. A gente pensa muito em categorias de acabou, não acabou, é bom ou é ruim, é isso ou aquilo, eu acho que não, acho que a questão tem muito mais camadas do que esta.

Confiabilidade da informação na Internet

O que eu acho é que há um dado concreto de que os jornais impressos estão ou estacionados ou perdendo circulação principalmente nestes últimos cinco anos. Isso obviamente tem a ver com a internet e com toda uma pulverização de mídia que se tem hoje. Imagina um sujeito que vai para o trabalho e pode ouvir uma rádio, uma CBN, uma Band News no carro. No trabalho em geral pode trabalhar com computador, grande parte das pessoas, não só jornalistas, de biólogos a executivos, trabalham com computador e ali usam muito a internet, não só para informação, mas usam.

Os locais de trabalho têm televisões com canais 24 horas de notícias. O cara chega e casa e assiste o Jornal Nacional ou Jornal da Globo ou vai mais na internet ou o filho está na internet. Este cara que vai pegar o jornal no dia seguinte está um pouco saturado daquelas informações. Então o jornal do dia seguinte tem que se repensar em relação a esse cidadão interconectado de hoje. Eu acho que o caminho passa muito pelo que a forma impressa do jornal tem de específico. Acho que aquela coisa da limitação do espaço físico pode ser o trunfo do jornal e não o seu problema.

No sentido que ele pode hierarquizar, editar, escolher e transmitir uma credibilidade muito forte para o leitor. Acho que a questão até da tatilidade do papel, o prazer de ler em papel é muito grande. Agora isto afeta muito os jornais diários. As revistas semanais por estas mesmas razões da hierarquia editorial, da qualidade do papel, e até de uma necessidade que as pessoas têm de uma coisa portátil, que você leva para o banheiro que não pifa, que não acaba a bateria, ela sobrevive de muitas formas. Se você pegar revistas altamente de texto, muito sofisticadas como a New Yorker e a Economist, elas só cresceram nestes últimos anos. A New Yorker e a Economist vendem mais de 1 milhão de exemplares por semana e não só em seus países e cresceram, elas não eram assim há cinco anos atrás. Inclusive as duas têm sites excelentes na internet, o da New Yorker foi renovado há duas semanas, é um site excelente com muitas coisas inerentes da internet. Inclusive os cartoons que existem nas revistas na internet são animados com pequenas historinhas.

Porque os próprios grupos foram vendo a nova realidade e foram assimilando. Então a marca New York Times vai ter o mesmo peso em papel ou no mundo virtual. Então se a circulação em papel está caindo, o faturamento das empresas não necessariamente. Então os grandes grupos jornalísticos continuam a ser referência mesmo no mundo virtual. Por isso que eu acho errado pensar em termos polarizados, era assim e agora vai ser assim. Os próprios trunfos de mídia que nasceram de jornais impressos estão se reinventando sem perder essa marca.

Escravidão virtual

Obviamente é uma maneira de falar. Eu aprendi a lidar com esse ritmo do blog, a criar o meu horário todo dia. Recentemente eu criei uma regra para não entrar no blog durante os sábados. Eu posso até programar um comentário que eu escrevo na sexta para entrar no sábado, posso dar uma olhada, mas não escrevo aos sábados.

O site era assim. O blog é diário, um post por dia já entra gente reclamando: "Como você escreve só um por dia, é um absurdo". No começo eu escrevia três, quatro por dia, hoje baixei para dois a meta nos dias úteis. E também reprogramei o meu dia na redação do Estado, tinha uma série de compromissos, de reuniões diárias ao qual eu ia e que hoje eu não preciso ir em função de eu produzir duas colunas de um blog. Então eu redesenhei a minha agenda. E parei de encanar com esses caras de madrugada quebrando o pau.

Furo jornalístico

Quando eu estava na Copa eu consegui fazer a primeira entrevista com o Ronaldo daquela crise toda da bolha e joguei no blog. E o portal jogou o meu blog na manchete do portal. E no dia seguinte foi usado isso no papel, mas já retrabalhado, recontextualizado. É um furo. Um furo não dá para esperar mais nem um minuto.

Há muitas coisas que eu escrevo só para o papel e não coloco no dia anterior, nem no blog nem no site. Vai sair no papel e depois que vai parar no blog e no site. O papel não vai perder tudo.

Se você tiver uma idéia genial para uma coluna você faz na coluna de domingo ou faz no blog antes?

No começo eu ficava com pudores por exemplo de fazer um texto, comentar um filme que eu vi ontem a noite. Tal coisa eu normalmente comentaria na coluna de domingo e depois repetir este mesmo comentário ipsi literi na coluna. Hoje eu tenho mais pudores ainda, eu não faço isso. Eu decido o que vou guardar para o domingo, para a coluna do papel e no blog eu não faço. Ou eu posso fazer um comentário para um determinado ângulo e na coluna eu vou mais longe, eu amarro com outras coisas por exemplo. Acho um erro replicar no papel o que se faz no virtual e vice-versa.

Conteúdo aberto e fechado

Eu sou leitor de jornal na internet. Hoje em dia leio o Estado em papel quando acordo, depois ligo o computador e leio a Folha na internet como assinante do UOL e leio jornais do mundo inteiro. Tenho tantas senhas que às vezes nem lembro o nome. Mas entro em jornais, The Guardian, The New York Times, jornais que estou acostumado a olhar. Revistas como Economist. E eu tenho registro em cada um e não pago nada para ler quase sempre em todos estes casos em conteúdo integral. E acho que o caminho é este. Faz um cadastro e recebe uma senha de acesso e lê as revistas e jornais inteiros. O The Guardian inclusive você pode puxar o pdf e ver a página tal como ela está no jornal em conteúdo integral.

Jornalismo colaborativo

O Estadão tem aquela coisa do foto repórter que recebe uma quantidade enorme de fotos desde o passarinho do quintal do sujeito até o outro que acabou de fotografar o homem bomba explodindo em Bagdá. E a foto quando é publicada a pessoa recebe por ela. É publicado inclusive no papel de acordo com a nossa seleção. Então na verdade só soma pra gente.

Morte do autor

Eu não acredito na morte do autor, eu acho que o meu texto é meu assim como a minha digital é minha. Eu acredito que a internet pelo contrário pode favorecer o jornalismo autoral e ajudar a divulgar a literatura, inclusive a literatura dos clássicos. Eu não vejo as coisas como Antípodas. Eu acho que na internet se escreve do mesmo jeito, com sintaxe, com parágrafos, com páginas, com uma certa coerência sintática, semântica etc. Então eu não acredito que exista aí a morte da palavra. Pelo contrário, a internet exige leitura. E trocar MSNs da vida exige escrever. Quem sabe escrever vai escrever em qualquer meio.

O que os jornais impressos e o jornalismo têm que a internet não consegue ter?

Eu falei que esta história da limitação física na verdade é um trunfo do papel. Acho que a hierarquização de um jornal, que na verdade é limitada de certa forma pela hierarquização das home pages, lá tem um pouquinho menos de verticalidade, mas você precisa entrar nas matérias para lê-las. Eu gosto desta navegação da página do jornal, você vê uma coisa, se interessa e olha. Acho que se lê mais rápido um jornal em papel às vezes do que um jornal na internet, pelo tempo todo que se consome. Quando eu leio a Folha na internet eu conheço a sua estrutura, então eu já sei mais ou menos onde estou quando estou na internet. Então acho que a organização física do papel é interessante. Não é que ela é melhor, é um fator específico do papel. E acho que as revistas em especial têm esta vantagem e talvez ainda maior. Eu não vou parar de ler revistas. Eu não vou querer ler a Economist pela internet.

Um caminho é o caminho da opinião, da análise. Porque você supõe até uma leitura um pouco mais detida do que quando você faz a leitura em papel. Na leitura da internet, se você pegar o tempo de permanência das pessoas em uma página na internet, ele é baixíssimo. E quando você pega um texto mais comprido o que você faz? Você imprime pra ler. Você vai ler Economist na internet? Não, você vai clicar e em geral vai imprimir. Um texto de nove, dez páginas eu não leio pelo menos.

Mas acho que a tendência é a da leitura rápida. Isso é uma coisa quase conceitual. Você trabalha com textos curtos e quando se precisa ler uma coisa mais longa você vai ler. E se você quiser imprimir e ler você pode, até pela portabilidade, pelo aspecto da leitura, da impressão de tinta. A gente não parou de ler jornal porque ele tem alguma coisa.

Os textos curtos não são lidos rapidamente?

Se você abre uma página, ao entrar no portal Estadão, e clica em Arte e Lazer, as cinco matérias que estão lá em cima, em geral são quase que as últimas que apareceram, que irromperam, são aquelas notícias: Halle Barry pisa na calçada da fama. E as pessoas vão lendo isso. Se você consultar no próprio New York Times a sessão que tem lá, as matérias mais lidas, é muito engraçado. Não tem nada a ver com a manchete que tá lá em cima no jornal. Não é um artigo do Frank Rich. É uma coisa que não tem nada a ver com isso. Então a maior parte do consumo de internet é de leitura rápida.

Ética no blog

A ética jornalística deve existir no blog como é no papel com os mesmos preceitos de isenção, de compromisso ético, compromisso crítico, senso crítico, sobretudo. Para mim é jornalismo da mesma forma, como eu disse antes. Acho que se você pratica um jornalismo ético você vai fazer um blog jornalístico com ética. Eu até formulei um texto que aparece em todos os blogs do Estadão que diz que os blog serão rejeitados por linguagem obscena, por insultos e até por inadequação porque às vezes você escreve sobre 'laranja' e o cara escreve sobre 'quiabo', não dá. Então você tem um trabalho de monitoramento e mediação.

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