Múltipla sob todos os aspectos, abundante em possibilidades de escolhas e integrada à tecnologia digital. Para estes pilares tende a arte ou, no mínimo, a produção de conteúdo para celulares, segundo o que apresentou o Nokia Trends Connecting Streets, segmento extra-musical do evento que aconteceu em São Paulo na noite do sábado (25) e madrugada do domingo (26).
Situado no espaço de passagem entre a pista "Club" (onde tocaram as atrações da vertente eletrônica) e a "Live" (palco dos roqueiros), a seção era uma espécie de picadeiro com 5 atrações principais -além de uma vitrine de telefones celulares de último tipo. O mais impactante era "Digital Spray", um outdoor digital de 12m x 3m criado por VJ Charlie e os designers e grafiteiros Highraff, Kboco e Nunca. Sobre uma estrutura básica desenhada em papel e projetada na parede, cores e animações se sobrepunham e se alternavam, compondo novas paisagens. Três telões de plasma integrados à instalação abriam-se como "janelas" para pequenas seqüências de vídeo.
Outra atração era o Bluejay, que partia de seqüência de vídeos e desenhos criados pelo veterano coletivo BijaRi, VJ Anyone e artistas e grafiteiros Carlos Dias e Flip. Ativando teclas pré-programadas em celulares com tecnologia Bluetooth, o usuário mudava, através de um terminal de computador, o vídeo projetado em um telão, criando seqüências diferentes a cada projeção -um uso algo rudimentar e óbvio da tecnologia, que entrou como pretexto de interface.
Duas seções foram providas pelo Resfest -festival de arte e tecnologia cuja próxima edição começa em 10 de abril de 2007-, sob a assinatura Resfest Mobile. Em um telão e em nove telas menores dispostas em formato de painel, eram projetadas amostras do repertório de 10 anos do festival no Brasil. A estrela máxima da programação, Michel Gondry, consagrou-se diretor de videoclipes para canções de Björk ("Human Behaviour"), Chemical Brothers ("Let Forever Be", outra indicação da questão da multiplicidade que freqüenta o imaginário contemporâneo) e Daft Punk ("Around the World"), dentre outros, e de longas como "Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembrança". Ao lado desse ambiente de "lounge", um pequeno auditório para até 15 pessoas, com paredes de vidro, apresentava sessões "individuais" do repertório do Resfest em aparelhos Nokia. O mesmo modelo de celular foi usado como câmera por alguns diretores convidados para produzir material exclusivo para o festival.
Por fim, havia o projeto "Lilliput 3.0" de Simone Michelin, vencedor da 6ª edição do prêmio Sérgio Motta de Arte e Tecnologia, que previa "um sistema composto por uma infra-estrutura humana, uma física e uma tecnológica". Grosso modo, os participantes tiravam fotos em um cenário, adaptado para o Nokia Trends, com imagens da cidade de São Paulo, e tinham suas fotos disponibilizadas para download no website do festival.
Após um evento que se apóia sobre multiplicidade, abundância e hiperconectividade, fica a sensação de que, em breve, déficit de atenção não será mais considerado um distúrbio, mas sim uma forma, se não a única possível, de se relacionar com um fluxo contínuo de referências oferecidas simultaneamente e em linguagens entrecortadas.
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