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19/09/2006 - 16h19
Tamanhos pequenos franceses estão dando lugar ao GG


Por Caroline Jacobs

PARIS (Reuters) - Os franceses estão ficando maiores e mais gordos, e as francesas, em especial, cada vez mais andam abrindo mão de sua conhecida silhueta esbelta, revela uma pesquisa que mapeia os padrões de peso na França.

Quase 42 por cento dos franceses de mais de 15 anos de idade têm um problema de peso, revelou na terça-feira uma pesquisa ObEpi-Roche. Quase um terço da população tem sobrepeso, e 12,4 por cento é obesa.

Apesar da idéia comum de que os franceses evitam "junk food" e comer em excesso, a obesidade está em alta, segundo o estudo, que vem sendo feito a cada três anos desde 1997.

A pesquisa é patrocinada pela fabricante de medicamentos Roche, que cria produtos para a perda de peso, mas também reflete a preocupação crescente com a obesidade na França, além de espelhar outros estudos que já demonstraram tendências como o aumento do tamanho médio das roupas produzidas no país.

Embora o problema na França não seja tão grave quanto é em países com os Estados Unidos, e embora o ritmo do aumento da obesidade tenha diminuído em comparação com pesquisas anteriores, os dados apontam para um aumento constante na incidência de obesidade grave, que requer atenção médica.

"Existe uma esperança pequena de que esteja começando uma tendência favorável", disse Marie Aline Charles, diretora de pesquisas do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisas Médicas (Inserm).

"Mas não se pode afirmar que possamos começar a inverter essa tendência na França enquanto outros estudos não confirmarem nossos resultados."

Há três anos, 11,3 por cento da população francesa adulta era obesa, contra 8,2 por cento em 1997, enquanto a parcela da população que apresenta sobrepeso se manteve igual.

Considera-se que as pessoas têm sobrepeso quando seu índice de massa corporal, ou IMC (o peso dividido pela altura) é de 25 ou mais. Elas são obesas quando o ICM é superior a 30, e a obesidade grave começa com o ICM 35, segundo os padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS).

"Mais do que qualquer outra coisa, a obesidade é um problema de saúde", disse à Reuters Anne-Sophie Joly, diretora do grupo francês CNAO, que faz lobby contra a obesidade.

A Roche, que patrocina a pesquisa, fabrica um produto para perda de peso conhecido como Xenical. Outros produtos incluem o Acomplia, da Sanofi-Adventis, e o Meridia, dos Laboratórios Abott.

No ano passado foram lançadas campanhas na França para divulgar os riscos da obesidade para a saúde, e até o final do ano o CNAO pretende destacar o aumento na obesidade infantil.

O estudo demonstrou uma ligação entre obesidade e renda. O maior percentual de obesos, quase 19 por cento, é formado por pessoas que recebem menos de 900 euros (1.139 dólares) mensais. Pela primeira vez desde 1997, porém, a obesidade diminuiu na faixa da população que recebe mais de 5.300 euros.

Uma pesquisa distinta da TNS Worldpanel divulgada na semana passada indica que em 2006 as famílias francesas estão gastando em média 3 euros mais que em 2005 -- ou 132 euros em total -- com produtos saudáveis como iogurtes e cereais que prometem promover a perda de peso e redução do colesterol.

Em ma pesquisa anterior, a TNS disse que os tamanhos extragrandes foram responsáveis por 22 por cento das vendas de roupas femininas na França no início do ano, contra 18 por cento em 2004. A porcentagem de mulheres que compram sutiãs maiores aumentou em 7 pontos percentuais, para 56 por cento, entre 2000 e 2005.



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