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20/09/2005 - 20h14
Organizadora comenta destaques do 1º Congresso Brasileiro de Design da Informação
Da Redação


Nos dias 8, 9 e 10 de setembro três eventos simultâneos discutiram em São Paulo o design da informação: o 1º Congresso Brasileiro de Design da Informação (InfoDesign Brasil), o 2º Congresso Internacional de Design da Informação e o 2º Congic, Congresso Nacional de Iniciação Científica em Design da Informação.

As participações de profissionais e estudantes foram divididas em quatro grandes temas: educação; história e teoria, abordando pesquisas sobre pioneiros e primórdios do design da informação, propostas de taxonomias, modelos e métodos; tecnologia e sociedade, com questões relativas ao uso da tecnologia por indivíduos e seus efeitos na sociedade; e sistemas de informação e comunicação, com estudos sobre a eficácia de sistemas informacionais em comunicar mensagens.

Realizado no centro universitário Senac, em Santo Amaro, zona sul de São Paulo, o Congresso trouxe à cidade alguns dos especialistas da área. "Destacaria convidados internacionais como Paul Mijksenaar, da Universidade de Delft (Holanda), Phil Baines, da Central Saint Martins College of Art & Design (Inglaterra), Maria de Cosío, da Universidad Popular Autónoma del Estado de Puebla (México) e Patricia Wright, da Universidade de Cardiff (País de Gales)", diz Priscila Farias, designer, professora e uma das organizadoras do evento.

Leia, abaixo, a entrevista na íntegra com Priscila Farias:

UOL: Quais foram os destaques do Congresso?
Priscila Farias:
O 1º InfoDesign Brasil e o 2º Congresso Internacional de Design da Informação são eventos de caráter científico organizados pela SBDI (Sociedade Brasileira de Design da Informação) a cada dois anos, tendo como objetivo promover a discussão e a reflexão sobre o design da informação no Brasil e em nível internacional. O Congic - Congresso Nacional de Iniciação Científica em Design da Informação, por sua vez, é voltado para estudantes e recém-formados que tenham desenvolvido trabalhos científicos na área. Os eventos reuniram cerca de 100 trabalhos, sendo cerca de 80 nas sessões "profissionais" (palestras apresentadas por professores e pesquisadores no Congresso Internacional e no InfoDesign Brasil), e 20 trabalhos de estudantes apresentados nas sessões do 2º Congic. Contamos com a participação de autores oriundos de diversos lugares do Brasil e também de outros países, como Estados Unidos, França, Holanda, Japão, México, Reino Unido, e Suécia. A significativa submissão de trabalhos por parte de pesquisadores estrangeiros, e sua presença no evento (algo ainda pouco comum em eventos na área de design realizados no Brasil), são indicativos do prestígio internacional obtido pelo Congresso, bem como da relevância do evento para a comunidade de pesquisadores da área.

UOL: Quais as participações mais notáveis?
Priscila Farias:
Eu destacaria nossos convidados internacionais Paul Mijksenaar, Phil Baines, Maria de Cosío e Patricia Wright. Paul Mijksenaar, além de professor e pesquisador, dirige um escritório de design e é responsável pelos sistemas de sinalização e informação do metrô de Amsterdã, além dos aeroportos de Amsterdã, Rotterdã e Nova York (La Guardia e JF Kennedy). Também foi responsável pelo sistema de sinalização que aparece no filme "O Terminal", de Steven Spielberg. É autor dos livros "Open here: the art of visual design" e "Visual function: an introduction to information design", dois clássicos da área. Phil Baines também divide seu tempo entre ensino, pesquisa e atuação profissional na área de design gráfico. Atualmente, é curador do Central Lettering Record, um importante arquivo de letreiramento e tipografia iniciado pela célebre pesquisadora inglesa Nicolete Gray na década de 60, e contribui frequentemente com artigos para a revista "Eye". É autor de fontes tipográficas digitais distribuídas pela Fuse (de neville Brody), e dos livros "Type & Typography", "Signs: Lettering in the environment" e "Penguin by design: a cover story 1935-2005". Maria González de Cosío é professora, pesquisadora e diretora do Centro para Estudos Avançados em Design em Cholula, Puebla. Leciona design há 21 anos, tendo sido chefe de departamento e coordenadora do Mestrado em Design da Universidad de las Americas. Há dois anos fundou o Centro de Estudos Avançados em Design do México, que promove o desenvolvimento do design como disciplina profissional. Atua em pesquisas sobre a história do design gráfico no México e como consultora em projetos de design da informação. Patricia Wright é a única do grupo que não atua como designer. Doutora em psicologia, é um dos grandes nomes do design da informação, com contribuições importantes na área de pesquisa empírica voltada para o design como suporte para a comunicação entre organizações públicas ou privadas e o público em geral. O foco de sua pesquisa atual é o design de interface para documentos multimídia com informações sobre saúde. É autora de um grande número de artigos publicados, e membro do conselho editorial de revistas científicas internacionais. Em 2005 recebeu o prêmio Goldsmith do Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE) por sua contribuição à engenharia da comunicação.

UOL: Design da informação é uma expressão nova? A que tipo de design se aplica?
Priscila Farias:
É uma expressão que tem ganhado popularidade recentemente, mas que sintetiza preocupações mais antigas e, eu diria, fundamentais do design, e mais especificamente do design gráfico, quanto à estruturação, clareza e a eficiência das mensagens. Algumas aplicações são os infográficos de jornais e revistas, o design de mapas, de pictogramas, de sistemas de sinalização, de formulários, de grandes catálogos e de interfaces digitais em geral.

UOL: Que profissionais se dedicam ao design da informação?
Priscila Farias:
Tipicamente, integram a área designers gráficos, arquitetos, designers de interfaces, psicólogos, semioticistas. Mas encontramos também educadores, cientistas da computação, engenheiros e antropólogos interessando-se pelo tema, ou compondo equipes de pesquisa e de trabalho.

UOL: Que faculdades têm cursos nesta área no Brasil e no exterior?
Priscila Farias:
No Brasil, temos o curso de Especialização em Design da Informação da Universidade Federal de Pernambuco. O mestrado em design da mesma instituição possui uma linha de pesquisa nesta área também. O Centro Universitário Senac, em São Paulo, tem oferecido cursos livres voltados para o design da informação. Fora do Brasil, temos os cursos oferecidos pelo Departamento de Tipografia e Comunicação Gráfica da Universidade de Reading (Inglaterra), e pelo Departamento de Design Informação na Universidade de Mälardalen (Suécia), o Bacharelado em Design da Informação na Universidad de las Americas (Mexico), e muitos outros cursos com as denominações Design Gráfico, Design da Comunicação, ou Design Visual, onde há professores com interesse específico nesta área. Uma boa lista destes cursos (com ênfase nos cursos oferecidos nos EUA) pode ser encontrada no site "Degree programs in information design ID SIG STC.

UOL: Quais as publicações no Brasil sobre o assunto?
Priscila Farias:
Especificamente sobre design da informação, no Brasil, temos pouca coisa: a revista científica da Sociedade Brasileira de Design da Informação, os anais dos Congressos Internacionais organizados pela mesma associação, alguns textos e livros do Gui Bonsiepe. Existem, contudo, livros e textos que não são especificamente sobre design da informação, mas que interessam para a área, como o "Sinais e Símbolos", de Adrian Frutiger, além de títulos de outras áreas como semiótica, ciências sociais e psicologia.

UOL: Quais os centros de pesquisas mais importantes de design da informação no Brasil e no exterior?
Priscila Farias:
No Brasil, há pesquisas nesta área principalmente na Universidade Federal de Pernambuco, Universidade Federal do Paraná, na Escola Superior de Desenho Industrial/UERJ, na PUC-Rio e no Centro Universitário Senac. No exterior, além das já citadas Universidades de Reading (Inglaterra), Mälardalen (Suécia) e Universidad de las Americas (México), poderíamos citar o Instituto de Arte e Design da Universidade de Tsukuba (Japão), e, nos Estados Unidos, a Universidade Carnegie Mellon e os Institutos de Tecnologia de Illinois, Massachussets e Rochester.



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