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28/06/2005 - 15h54
Paris descobre Marília Pêra na pele de Coco Chanel em peça de teatro



PARIS, 28 jun (AFP) - O Ano do Brasil na França permitiu aos franceses conhecer e admirar a atriz Marília Pêra, que brilha no teatro Comédie, da Champs-Elysées, com a peça "Mademoiselle Chanel", um quase monólogo escrito por Maria Adelaide Amaral.

Apesar de interpretar em português, com legendas em francês, Marília conquistou o público parisiense com esta peça, dirigida por Jorge Takla e que está em cartaz na capital francesa de 24 de junho a 2 de julho.

Na verdade, desde a estréia, na sexta-feira passada, a cada noite Marília é aplaudida de pé pelo público.

A atriz devolve a vida a Gabrielle "Coco" Chanel (1883-1971) e surge no palco com o famoso terno branco com pespontado de linha preta, criado pela estilista em 1954.

Os cabelos curtos e muito pretos, a silhueta, o gestual, tudo na composição de Marília Pêra evoca a Coco Chanel dos anos 50 e 60.

No entanto, a atriz não tenta ser uma sósia da famosa estilista, mas, grande intérprete que é, se apropria da personagem desta mulher fora do comum, que queria deixar para a posteridade uma imagem de si própria segundo suas exigências.

Marília Pêra faz de sua personagem um ser vivo, com suas contradições, suas certezas sobre a alta costura e a moda (Chanel preferia a palavra "estilo", que não passa de moda), que fizeram dela a pioneira na área nos anos 20 e 30, e também seus pesares. Maria Adelaide Amaral imagina uma Coco Chanel às vésperas de um fim de semana, aos pés da escada coberta de espelhos de seu ateliê parisiense.

A "mademoiselle" está definitivamente sozinha, com suas lembranças de mulher que amou muito, sobretudo homens ricos, mas que nunca se casou.

Suas lembranças são também a de artistas excepcionais, de Diaghilev a Picasso, passando por Cocteau, Stravinsky e Visconti, aos quais ajudou, às vezes, financeiramente.

Estas lembranças, com freqüência idealizadas, são acompanhadas de temas musicais, sobretudo de Gershwin e famosas canções francesas dos anos 30, às vezes ilustradas com projeções de fotos das personalidades que ela evoca com paixão.

A atuação é pontuada por um desfile de criações da 'maison', apresentados por duas atrizes que interpretam modelos da casa.

Com uma longa carreira teatral, Marília Pêra também se destaca nos papéis que interpretou no cinema, como em "Pixote", de Héctor Babenco, "Tieta do Agreste", de Cacá Diegues, e "Central do Brasil", de Walter Salles.

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