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18/05/2005 - 18h12
Lisette Lagnado é eleita por comissão a curadora da 27ª Bienal de SP


Alcino Leite Neto

A curadora Lisette Lagnado posa para foto na casa do jornalista Alcino Leite Neto
Da Redação

O nome responsável pela curadoria da 27ª Bienal de São Paulo, que acontece no segundo semestre de 2006, foi escolhido entre a noite de terça, 17, e a manhã desta quarta, 18. Através de novo processo adotado pela Fundação Bienal de São Paulo, a curadora independente Lisette Lagnado foi eleita por comissão julgadora pela qualidade de seus projetos apresentados.

Lisette será assessorada por um grupo de quatro co-curadores, formado por Cristina Freire (Museu de Arte Contemporânea da USP), pela espanhola Rosa Martinez (atual co-curadora da Bienal de Veneza), por Adriano Pedrosa (co-curador do Insite 05), José Roca (Biblioteca Lis Angel Arango, em Bogotá, na Colômbia) e Denise Grinspun.

O tema escolhido para a 27ª Bienal é "Blocos Sem Fronteiras". Conforme declarou à Folha de S.Paulo, a definição é emprestada de Hélio Oiticica, "para quem construtor é uma figura capaz de modificar a maneira de ver e de sentir, mas sem rezar pela cartilha do formalismo".

Desta vez a Bienal não será dividida em núcleos ou segmentos, mas sim em blocos. São sete sem viés histórico, todos contando com artistas brasileiros. Obedecem às temáticas: "Conglomerado em Construção", "Novas Formas de Participação na Arte: Parcerias", "Participação e Trocas"; "Porque Tantas Ruínas e Vontade de Memória"; "Do Cinetismo às Participações Sociais"; "Filmes de Artistas e Documentários"; "O Acre: de Território a Estado"; além de "Marcel 30", homenagem ao 30 anos da morte do artista belga Marcel Broodthaers.

Perfil

Lisette Lagnado, de 44 anos, é mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutora em Filosofia pela USP, por conta de tese sobre Hélio Oiticica. Oiticica, aliás, foi objeto de estudo de Lisette por três anos, durante a coordenadoria do "Programa Hélio Oiticica" para o site do Itaú Cultural, que resgatou manuscritos do artista, onde estava concentrada a parte teórica de seu pensamento, praticamente inéditos, e colocou-os disponíveis na Internet.

Lagnado também foi idealizadora do Projeto Leonilson, fundado em 1993 com ajuda de amigos e familiares do artista, que catalogou a obra do pintor, escultor e desenhista cearense _iniciativa que resultou em retrospectiva itinerante e no livro "Leonilson - São Tantas as Verdades" (DBA).

A curadora atualmente continua seu trabalho de mapear artistas emergentes ao viajar pelo Brasil, hoje como coordenadora na equipe do Programa Rumos Artes Visuais (Itaú Cultural). Em cartaz, Lisette Lagnado assina a seleção da mostra "Através", sobre Construtivismo brasileiro, na Galeria Bergamin. E prepara-se para inaugurar em junho a exposição "Fim de Romance" no Musée des Beaux-Arts de Nantes, que vai passar também pela Pinacoteca de São Paulo e pelo MAMAM de Recife.

Lisette Lagnado também edita, junto de Alcino Leite Neto (editor da edição de domingo da Folha de S.Paulo) e Esther Hamburger, a revista eletrônica Trópico.

Processo de escolha

Neste ano, o presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Manoel Francisco Pires da Costa, preferiu adotar processo mais democrático e transparente para substituir o alemão Alfuns Hug, responsável pela seleção das obras nas duas últimas edições (25ª e 26ª Bienal).

Primeiro, o presidente preferiu não usar seu cargo para indicar um curador. Organizou comissão formada por Eleonora Mendes Caldeira, Elizabeth Machado, Evelyn Ioschpe e Maria Ignez Barbosa, que decidiu que a escolha não seria baseada na força de um nome mas sim na força do conjunto de serviços artísticos apresentados.

Assim, surgiram os nomes de Paulo Venâncio (professor de arte da UFRJ), Ana Maria de Moraes Belluzzo (professora de história da arte na FAU-USP), Lorenzo Mammì (diretor do Centro Universitário Maria Antonia) e Lisette Lagnado. Mammì declinou da indicação ao alegar que não poderia se desligar de suas atividades junto à Maria Antonia. A partir de uma carta-convite, os três indicados pela comissão teriam um mês para apresentar uma idéia de projeto para a 27ª Bienal.

O próximo passo foi o de formar uma comissão julgadora para avaliar os anteprojetos dos indicados à curadoria. Aracy Amaral (professora de história da arte na USP e ex-diretora da Pinacoteca), Paulo Herkenhoff (diretor do Museu Nacional de Belas Artes-RJ), Lynn Zelevansky (curadora e coordenadora do Departamento de Arte Moderna e Contemporânea do Museu de Arte de Los Angeles), Manuel Borja-Villel (diretor do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona) e João Fernandes (diretor do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto).

Através de videoconferência, essa comissão técnica se reuniu, em um primeiro momento, na noite de terça-feira, 17 de maio, e finalizou a escolha na manhã desta quarta, 18, chegando até o nome de Lisette Lagnado como curadora da 27ª Bienal de São Paulo.

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