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Saxofonista Manu Dibango, lenda do afro-jazz, morre devido ao coronavírus

Manu Dibango ficou mundialmente conhecido com a música Soul Makossa - EFE/EPA/SEBASTIEN NOGIER
Manu Dibango ficou mundialmente conhecido com a música Soul Makossa Imagem: EFE/EPA/SEBASTIEN NOGIER

Da RFI

24/03/2020 10h31

Hospitalizado depois de ter sido testado positivo para a covid-19, Manu Dibango, saxofonista camaronês e lenda do afro-jazz, morreu aos 86 anos na França. A informação foi confirmada na manhã de hoje por um dos responsáveis pela sua gravadora.

O camaronês uma das primeiras celebridades no mundo a morrer devido ao novo coronavírus. A vida de Emmanuel N'Djoke Dibango foi inteiramente dedicada à música. Ele ficou conhecido mundialmente com o sucesso de Soul Makossa, em 1972.

Soul Makossa caiu nas graças de DJs de Nova York, e a canção conquistou os Estados Unidos. Manu Dibango chegou a acusar Michael Jackson de plágio em uma música do álbum "Thriller" e um acordo financeiro foi firmado para colocar fim ao litígio.

Manu Dibango nasceu em Camarões em 1933. Foi no coral do templo religioso, onde sua mãe era professora, que ele aprendeu a cantar, enquanto na vitrola dos pais ouvia músicas francesa, americana e cubana.

Precursor da World Music

O jazz entrou na vida de Manu Dibango, e nunca mais o deixou, e o saxofone se tornou seu instrumento favorito. Ele conheceu o também músico camaronês Francis Bebey, e juntos formaram um grupo que se apresentava em bares e casas noturnas.

Ao deixar de fazer os testes para entrar na faculdade, seu pai deixou de sustentá-lo. Dibango se mudou para a Bélgica, onde seu jazz ganhou contornos mais africanos com o contato comunidade congolesa, em plena efervescência. O Congo Belga declarou independência em 1960. Manu Dibango partiu para Léopoldville - atual capital do país, Kinshasa -, onde dirigiu uma casa noturna e lançou o twist.

No início dos anos 1960, seu país, Camarões, estava em guerra civil e ele retornou à França, onde descobriu estrelas francesas da época como Dick Rivers e Nino Ferrer, que o contrataram como músico.

Nos anos 1990, Manu Dibango gravou um álbum Wakafrika com os maiores sucessos africanos.

Reações

O musico senegalês Youssou Ndour escreveu no Twitter: "Não tenho palavras para traduzir minha tristeza. Você foi um gigante, meu irmão, um orgulho para os Camarões e para toda a África. Uma perda imensa! RIP o Rei da Makossa e Gênio (do) Sax".

Já o ministro francês da Cultura, Frank Rieskier, publicou também na rede social. "O mundo da música perde uma de suas lendas. A generosidade e o talento de Manu Dibango não conheciam limites. Cada vez que subia ao palco, ele se entregava intensamente ao público para fazê-lo vibrar de emoção. Penso em sua família e seus entes queridos."