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Momo: Artista que criou escultura polêmica diz que personagem pode virar filme

Keisuke Aiso e uma máscara que copia sua escultura - Reprodução
Keisuke Aiso e uma máscara que copia sua escultura Imagem: Reprodução

Osmar Portilho

Do UOL, em São Paulo

19/03/2019 11h55

Resumo da notícia

  • Artista é chefe de estúdio que cria itens para filmes e séries
  • Keisuke Aiso já recebeu propostas de vender direitos de Momo para o cinema

Momo virou notícia, angustiou pais e virou um dos personagens mais aterrorizantes da internet. Mas a ideia não era essa. Pelo menos para o criador da escultura, Keisuke Aiso. O japonês de 43 anos, que afirmou já ter destruído a peça, disse ao jornal japonês Japan Times que entende a preocupação dos pais quando a polêmica tomou a internet e não sabe o que fazer com repercussão do caso. O artista já recebeu contato de agentes para vender os direitos autorais da personagem para ao cinema.

"Eu mesmo tenho crianças pequenas e entendo isso. Embora esteja feliz que meu trabalho esteja sendo reconhecido no mundo inteiro, gostaria que qualquer pessoa que esteja por trás do fenômeno use a imagem de maneira mais discreta", explicou.

A Momo original - Reprodução - Reprodução
Escultura original de Momo já foi destruída
Imagem: Reprodução

Aiso é diretor da Link Factory, uma pequena empresa de Tachikawa, próximo de Tóquio. Seu estúdio é especializado em fazer itens para programas de TV e cinema. E foi especializado nesta criação de esculturas que nasceu Momo, originalmente batizada de Mother Bird.

A figura de silicone foi inspirada em alguns personagens sobrenaturais que aparecem no folclore japonês e chinês. A figura nasceu da história de um fantasma de uma mulher que morreu durante uma gravidez e que assusta e machuca crianças.

A mundialmente famosa imagem que circula na internet foi exposta originalmente na Vanilla Gallery, em Ginza, distrito de compras de Tóquio, em 2016.

Até então, como se lembra o artista, ela não atraiu muita atenção. "Um vizinho que estava visitando a exposição disse que se assustou e quase teve um ataque cardíaco". Foi anos depois que ele começou a receber mensagens de ódio no Facebook de seguidores e que ele "deveria ter vergonha de ter criado um monstro daquele tipo". "Eu fiquei muito confuso com tamanha comoção e aí sim fiquei sabendo da polêmica", continuou.

Trabalhos da Link Factory, empresa chefiada por Keisuke Aiso - Reprodução - Reprodução
Trabalhos da Link Factory, empresa chefiada por Keisuke Aiso
Imagem: Reprodução

Momo no cinema?

Aiso ainda explica que não sabe o que fazer com tamanha repercussão de sua escultura, que já nem existe mais. O artista recebeu contatos de agentes de todo mundo querendo comprar os direitos do personagem para potencialmente transformar Momo em um filme.

"Eu recebi uma ligação parecida também do México e disse que poderia cooperar. Até agora ninguém me respondeu".

A possibilidade de transformar Momo em algo ainda maior que o fenômeno viral, no entanto, deixa o artista preocupado, principalmente por causa de toda a polêmica envolvida no caso. "Seria terrível se eu tentasse monetizar isso", concluiu.

Embora a estátua já não exista mais, há a possibilidade de recriá-la, já que sua forma original ainda está em sua oficina. "Eu recebi muitas perguntas sobre isso, mas, estranhamente, ninguém se mostrou interessado em ver a escultura em si".