Tarantino revela que "Django Livre" tem personagem que se relaciona com outros filmes

Diego Assis
Do UOL, em San Diego (EUA)

  • Jordan Strauss/Invision/AP

    Quentin Tarantino fala com o público durante painel de seu novo filme, "Django Livre", na Comic-Con 2012, em San Diego (EUA) (14/7/12)

    Quentin Tarantino fala com o público durante painel de seu novo filme, "Django Livre", na Comic-Con 2012, em San Diego (EUA) (14/7/12)

A duas semanas de encerrar as filmagens de "Django Livre", o cineasta americano Quentin Tarantino deu uma pausa no trabalho para trazer à San Diego Comic-Con, neste sábado (14), as armas que vinha guardando por pelo menos 13 anos e que pretende apontar para o público em dezembro, quando seu bang-bang à black power chegar aos cinemas.

JAMIE E SEU CAVALO

  • Divulgação

    Jamie Foxx, protagonista de "Django Livre", que cresceu no Texas, revela seu trunfo para conseguir o papel: "Bem, eu tenho meu próprio cavalo", disse ele a Tarantino quando soube que o cineasta iria fazer um filme de caubói.

Diante da ovação que recebeu dos fãs após exibir um clipe de oito minutos temperado com sua tradicional mistura de violência, humor negro e diálogos espertos, o diretor pareceu legitimamente aliviado: "Que bom que vocês gostaram", declarou, sem conseguir tirar o sorriso do rosto.

"Quando estava preparando o material para mostrar aqui e disse que queria exibir um clipe de oito minutos, os executivos do estúdio disseram 'Você ainda nem terminou as filmagens, por que não mostra só os quatro minutos de trailer?'. E eu disse 'Não, isso é a Comic-Con e as pessoas vão ficar horas na fila para nos ver. Vou mostrar o que eu quiser. O que quer que seja bom para os fãs é bom para a indústria", afirmou, arrancando ainda mais aplausos das 6.500 pessoas que lotaram o Hall H do Centro de Convenções para uma sequência de painéis que inclui ainda apresentações de "O Hobbit", de Peter Jackson, "Pacific Rim", de Guillermo del Toro, e "Homem de Ferro 3".

Acompanhado dos atores Jamie Foxx, que interpreta um ex-escravo que se transforma em um caçador de recompensas em busca de vingança, e Christoph Waltz, o Coronel Hans Landa de "Bastardos Inglórios" que agora volta como um dentista habilidoso com armas de fogo, Tarantino explicou a ideia do filme, que descreveu como "uma das duas grandes aventuras de sua vida" ao lado de "Kill Bill".

"Amo os faroestes italianos conhecidos como 'spaghetti films', mas acho que já vi tudo que foi feito e quis fazer diferente. O germe inicial seria esse escravo que acaba virando caçador de recompensas e vai atrás dos fazendeiros brancos no Sul dos Estados Unidos nos tempos da escravidão, antes da Guerra Civil", explicou, destacando ainda o desejo de acrescentar uma trilha sonora bacana e uma pitada de surrealismo à história.

"A parte irônica nisso tudo é que não pode haver nada mais surreal e assustador do que a realidade do que aconteceu nesse período. É ela que se encaixa na minha história", disse.

Conhecido pelas referências cruzadas entre personagens de seus filmes  o diretor de "Pulp Fiction" e "Cães de Aluguel", admitiu que "Django Livre" guarda um personagem que pode se relacionar com outros de seus longas, mas negou-se a dizer qual seria. Em vez disso, indicou que o personagem de Foxx com o da atriz Karry Washington, que também faz uma escrava no longa, tem parentesco com outro clássico dos cinema negro americano. "O que posso dizer é que Django e Brumhilda terão um bebê, e que esse bebê terá outro bebê, que por sua vez terá outro bebê... e esse bebê vai se chamar Shaft! Eles são seus tataratataravós", brincou.

Escalado para o papel do ex-escravo Django, Foxx concordou e revelou que usou parte de sua experiência de ter crescido no Sul dos EUA para injetar o sentimento necessário ao personagem principal. "Sei como é quando você é criança e é tratado como 'negrinho' por gente adulta a seu redor. Aconteceu comigo e acabei encontrando esses paralelos no papel."

Kerry Washington, que interpreta a mulher do personagem de Foxx, disse mais tarde a jornalistas que foi difícil lidar com a questão da escravidão. "A cena que mais foi difícil de fazer foi quando ela é algemada. Acabou comigo pensar que não faz muito tempo meus antepassados passaram por isso. Nós precisamos chegar ate o inferno do ser humano para conseguir fazer esse filme".

"Ele não é um filme para ser amado, é de uma historia real que precisa ser contada e acima de tudo uma história de amor. Durante a escravidão, os negros nao podiam casar, eles eram vendidos. E de repente vem essa história mostrando que os negros podiam acreditar no amor. Quentin chorou em muitas dessas cenas e nós também, porque mostra uma realidade intensa e brutal, mas pelo seu lado humano", completou Washington.

Para Waltz, a dificuldade de seu papel desta vez era a dualidade do personagem. "Meu maior desafio nesse filme foi ser bom e mau ao mesmo tempo. Matei mais gente como um cara bom em 'Django' do que como um cara mau em 'Bastardos Inglórios'. E é difícil lidar  com esses dois lados, principalmente olhando pelo lado maior da historia", disse o ator a jornalistas .

Leonardo DiCaprio e Samuel L. Jackson também estão no elenco de "Django Livre", mas não participaram do evento de divulgação do longa na Comic-Con.

TRAILER DO FILME "DJANGO LIVRE"

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