Diretor de "Detona Ralph" diz que momento histórico é perfeito para um filme sobre games

Diego Assis e Estefani Medeiros
Do UOL, em San Diego (EUA)

  • John Shearer/AP

    O diretor Rich Moore fala durante o painel de "Detona Ralph" (12/7/12)

    O diretor Rich Moore fala durante o painel de "Detona Ralph" (12/7/12)

Quase quarenta anos após o surgimento dos primeiros videogames comerciais, coube ao estúdio Disney/Pixar transportar para o cinema a primeira homenagem digna de nota à estética e aos personagens mais queridos dos fãs de jogos eletrônicos como "Pacman", "Super Mario Bros.", "Sonic" e "Street Fighter". Um compilado de 10 minutos com cenas inéditas do filme, que estreia em 2 de novembro deste ano, foi apresentado na tarde desta quinta-feira (12) a uma plateia eufórica no Centro de Conveções da San Diego Comic-Con.
 
Em conversa com jornalistas após a sessão pública, diretor e elenco admitiram a sua paixão pelos jogos eletrônicos. "Eu fiz parte da geração que serviu como cobaia para 'Space Invaders'," lembrou o ator John C. Reily, que dubla o grandalhão Ralph, na animação. "Gastei um monte de dinheiro nesse jogo."

Apesar do clima passadista, reforçado pelo próprio material de divulgação do longa, que lembra as imagens pixeladas dos jogos da década de 90, Rich Moore, diretor do filme, descarta que o filme seja apenas produto de nostalgia. "A verdade é que existe história agora nos videogames. Você pode olhar para trás e ver os primeiros passos, quando os games eram ainda um bebê, e chegar até hoje quando o que se vê é algo bem mais realista e cinematográfico. Este é o momento perfeito para se fazer um filme sobre videogames. Dez anos atrás, creio que ele não poderia ser feito."

Usadas como pano de fundo para contar a história de um vilão de um jogo fictício que quer se tornar herói por um dia, as centenas de referências a games populares entre os fãs acabaram sendo ao mesmo tempo o trunfo e a dor de cabeça do diretor e dos produtores.

"Eu não queria fazer um filme com um bando de personagens fajutos, que ninguém conhece. Queríamos a coisa de verdade", explicou Moore. "Só depois de escolhermos quais personagens gostaríamos de usar e imaginá-los em situações dentro do filme é que começamos a procurar as pessoas e companhias que detêm os direitos para que pudéssemos usá-los na nossa história. Para minha surpresa, não pareceu algo tão difícil assim. Mas talvez os nossos advogados não diriam o mesmo, já que foram eles que tiveram de assinar todos aqueles papeis", contou, divertindo-se ao lembrar de coordenadas específicas que recebeu da Nintendo sobre como retratar ou não o dragão Bowser, arqui-inimigo de Mario nos jogos da companhia, que surge no trailer de "Detona Ralph" numa espécie de terapia de grupo junto com outros vilões dos jogos eletrônicos.

"É engraçado como nos tempos atuais, em que as pessoas estão mais sensíveis a questões de direito autoral e pirataria, essa pergunta tem surgido com frequência", apontou John C. Reily. "Se você fosse o sujeito que inventou o 'Frogger', aquele antigo joguinho sobre um sapinho que tem de atravessar a rua sem ser atropelado, você acha que seria tão difícil assim autorizar seu uso no filme?".

Questionado sobre se havia deixado algum personagem de fora do longa por não ter conseguido obter autorização, Moore desconversou, mas admitiu que deixou algumas "ideias" de lado a conselho de John Lasseter, conhecido como o chefão da Disney/Pixar e diretor dos filmes da série "Toy Story", que por seu jeitão de "baú de brinquedos" antigo guarda algumas semelhanças com o espírito de "Detona Ralph". "Eu estava em dúvida sobre o que fazer com essas ideias paralelas que iam surgindo, quando o John veio e me disse que, em 'Toy Story', aconteceu o mesmo. Se esse filme for um sucesso, me disse ele, você vai poder usar essas coisas num segundo ou terceiro filme da série", revelou, deixando no ar uma muito provável sobrevida de "Detona Ralph" nos próximos anos.

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