Na Flip, Jennifer Egan revela que se interessa pelo trabalho de Paulo Coelho

Natália Engler
Do UOL, em Paraty (RJ)

  • Divulgação

    A escritora norte-americana Jennifer Egan

    A escritora norte-americana Jennifer Egan

Integrante da mesa que esgotou mais rapidamente nesta edição da Flip, "Pelos Olhos do Outro" (sábado, 7, às 12h), ao lado do inglês Ian McEwan, a norte-americana Jennifer Egan, 49 anos, surpreendeu os jornalistas presentes em uma entrevista coletiva ao dizer que se interessava pelo trabalho de Paulo Coelho.

Questionada sobre seu conhecimento de literatura brasileira, ela respondeu: "Vou me revelar ser o típico americano ignorante. Não conheço nenhum escritor brasileiro. Sei que Paulo Coelho é um grande sucesso nos EUA e ele me interessa muito como fenômeno, porque parece ter se integrado muito facilmente com as novas tecnologias", disse.

Egan também contou que, por conta de seu interesse pela produção literária dos anos 1940, se aproximou um pouco de alguns autores brasileiros e citou Clarice Lispector como um destaque entre eles. "Acho que vir aqui é o inicio de uma exploração da literatura brasileira".

Autora de um livro de contos e quatro romances, Egan tem apenas dois livros editados no Brasil --"A Visita Cruel do Tempo", de 2010, que ganhou os prêmios Pulitzer e National Book Critics Circle, e "O Torreão", de 2006, recém-lançado no país pela editora Intrínseca--, que juntos venderam 24 mil exemplares.

Pela primeira vez no país, a escritora se disse surpresa com o interesse dos leitores brasileiros em seu trabalho e afirmou que pretende voltar outras vezes.

Egan também expressou sua admiração pela maneira como a música, que é tema de "A Visita Cruel do Tempo", é um componente importante da cultura brasileira. "O jeito em que a música e a cultura brasileiras estão tão ligados é muito interessante. Acredito que deve ser pela riqueza da cultura musical de vocês. Isso não acontece nos EUA".

A escritora explicou porque decidiu escrever sobre música em "A Visita Cruel do Tempo", que apresenta histórias independentes sobre diversos personagens que transitam pela indústria musical. "Também sou jornalista e por anos tentei conseguir um trabalho que me permitisse conhecer o mundo da musica, e nunca consegui, porque trabalho para a revista do 'New York Times' e eles têm uma ótima jornalista de música. Mas a razão maior é que o livro é sobre tempo, e tempo e música têm muitas ligações. Também fui muito influenciada por [Marcel] Proust neste livro e a música tem um papel importante em 'Em Busca do Tempo Perdido'. Também acho que um livro sobre o tempo tem que ser sobre tecnologia, e a música tem uma relação forte com isso. Hoje temos nossas próprias playlists e as musicas servem como uma máquina do tempo para mim e para muita gente", disse.

Novas tecnologias são uma das obsessões da autora, que recentemente publicou um conto através do Twitter da revista "New Yorker".

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