Crítico apresenta o "quase-livro" de um "Drummond da pré-história"

Mauricio Stycer
Do UOL, em Paraty (RJ)

  • Divulgação

    Livro inédito de Drummond: "Os 25 Poemas da Triste Alegria" (2012)

    Livro inédito de Drummond: "Os 25 Poemas da Triste Alegria" (2012)

Homenageado da Flip 2012, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) foi tema de uma animada conversa entre dois críticos literários na manhã desta sexta-feira. Alcides Villaça e Antonio Carlos Secchin leram poemas que mostraram "o poeta moderno", mas também o da "pré-história".

Inéditos até hoje, "Os 25 Poemas da Triste Alegria" foram escritos em 1924, enviados a um amigo e depois pedidos de volta por Drummond, que nunca os publicou. Secchin fez a apresentação do volume, que acaba de ser publicado pela editora CosacNaify. "É um quase-livro de um quase-poeta", disse o acadêmico.

Este "Drummond pré-histórico", como observou Secchin, ainda não é modernista. Suas referências principais são poetas como Ronald de Carvalho (1893-1935), Olegário Mariano (1889-1958) e Guilherme de Almeida (1890-1969), considerados pré-modernos.

Além disso, lembrou o crítico, em 1924 Drummond ainda fala com carinho de Olavo Bilac (1865-1918), ícone da poesia parnasiana, que seria combatida pelo modernismo. O primeiro livro do poeta, "Alguma Poesia", é de 1930.

Secchin e Villaça leram os poemas "Áporo" e "Elefante", respectivamente, de "A Rosa do Povo", livro publicado em 1945. O primeiro é um poema moderno, mas contém formas fixas, o que contraria a cartilha modernista.

Foi a deixa para Secchin observar: "É um equívoco achar que o poeta é a vida inteira moderno. Seria anacrônico ser modernista por 30 anos. Ele soube acompanhar a necessidade de renovação de seu próprio discurso".

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