"Alta gastronomia em evento de massa é incontrolável", diz Calil sobre Virada

Natália Guaratto
Do UOL, em SP

  • Renato Luiz Ferreira/Folhapress

    Centenas de pessoas aguardam em fila abertura da barraca que serviu o prato galinhada do chef paulistano Alex Atala no Minhocao, zona oeste de são Paulo

    Centenas de pessoas aguardam em fila abertura da barraca que serviu o prato galinhada do chef paulistano Alex Atala no Minhocao, zona oeste de são Paulo

Em evento para a imprensa realizado neste domingo (6), os organizadores da Virada Cultural de São Paulo se pronunciaram sobre os problemas e fizeam um balanço prévio da festa.

Um dos assuntos comentados foi a Galinhada feita pelo chef Alex Atala, que não atendeu a demanda do público e acabou sendo servida para os primeiros 500 com senha - ou com sorte. 

"Alta gastronomia em um evento de massa é incontrolável... A gente aprendeu", comentou o Secretário de Cultura de São Paulo, Carlos Augusto Calil. "Existe uma dificuldade em lidar com alta gastronomia em evento de massa. A ideia é muito simpática, muito compatível com a Virada. Esse ano o volume de pessoas era tão grande que a gente não conseguiu montar a estrutura", explicou. 

Público enfrenta tumulto para provar prato

"A gente teve problema físico, de logística, de montar barraca, arrumar fila porque tinha muita gente em cima do Minhocão. Tanto que a sopa de cebola - programada para ser servida após o prato do Atala - atrasou duas horas", justificou José Mauro Gnaspini, diretor de programação do evento. "Mas foi uma experiência interessante, ganhou ares de uma atração popular. As pessoas foram lá para ver. Nosso objetivo era atrair as pessoas para um passeio em cima do Minhocão", disse.

Segurança, limpeza e ambulantes

O secretário também minimizou os problemas de roubos e arrastões ocorridos durante a madrugada.

"Em termos de segurança não tem nada que macule a imagem dessa Virada", disse Gnaspini. "A Virada está sendo tranquila. Infelizmente teve o óbito daquela criança", comentou sobre o caso da jovem de 17 anos que morreu após uma overdose de cocaína durante o evento. 

Os números finais de apreensões, ocorrências, lixo e participantes deve ser apresentado em evento com o prefeito Gilberto Kassab nesta segunda (7). 

De acordo com Gnaspini, a divulgação de que no evento do ano passado o vinho que estava sendo comercializado ilegalmente nas ruas continha produtos químicos como etanol ajudou a conscientizar a população neste ano, que consumiu menos álcool. "A dificuldade de alimentação e bebidas é que o público fica muito compactado. E é justamente onde o ambulante consegue chegar. Abastecimento em um evento como a Virada é complicado", disse. 

Problemas no palco da comédia

O secretário também comentou as piadas feitas pelos comediantes, que em alguns casos mencionaram a organização e a prefeitura. "É importante que os comediantes façam seu trabalho. Não podemos fazer censura", disse Calil.

"A mudança do stand-up pra Sé ajudou muito. Ano passado no Anhangabaú ficou lotado o tempo todo. Esse ano foi mais tranquilo. Vamos aprendendo com a experiência", completou Gnaspini.

Apesar das observações, o UOL esteve na praça da Sé durante o final da noite e a madrugada e constatou que, por conta da superlotação do espaço, muita gente não conseguia ouvir as piadas do palco. O excesso de pessoas na área também obrigou os organizadores a bloquear o acesso à estação de metrô da Sé na tentativa de evitar tumultos.

"Minha avaliação é que os palcos foram suficientes e conseguimos atender todos. Comportar bem o público. A gente colocou Titãs e Suicidal Tendencies de manhã porque são shows complicados de fazer a noite", disse Gnaspini. "Suicidal Tendencies teve queda de barreira porque o pessoal queria fazer mosh, mas foi tranquilio, conseguimos conter", completou. 

"Mutantes foi o show com mais gente. Foi maior que as atrações internacionais. Estimamos cerca de 50, 60 mil pessoas", estima o diretor. Gnaspini também adiantou que os critérios de escolha da nova data tem como prioridade fugir dos feriados e casar com a lua cheia, que desperta mais vontade nas pessoas para saírem de casa. 

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