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Na Flip, Isabel Allende diz que cada livro seu oferece algo diferente

05/08/2010 18h49

Rio de Janeiro, 5 ago (EFE) - A escritora chilena Isabel Allende disse hoje, na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que dentro do universo do "realismo mágico" de suas obras ela sempre oferece algo diferente ao leitor.

"Cada romance tem seu próprio estilo, não gosto de repetir fórmulas", disse a escritora, em uma entrevista coletiva em Paraty.

Isabel está na Flip para apresentar a versão em português de seu último livro, "A Ilha Sob o Mar".

Ambientada em Santo Domingo, no século 18, "A Ilha Sob o Mar" conta a história de uma escrava mulata chamada Zarité, que o leitor acompanha desde a infância até a idade adulta, em sua luta por conquistar a liberdade.

Isabel reconheceu que essas histórias de superação são, em parte, influenciadas pelo golpe de Estado no Chile, em 1973, que levou sua família a exilar-se.

"Eu não seria escritora se o golpe militar no Chile nunca tivesse acontecido", reconheceu a escritora, que considera o mundo atual muito diferente do de então, já que "não existe mais uma divisão tão grande entre esquerdas e direitas".

Embora seja considerada uma das referências da literatura latino-americana contemporânea, com mais de 50 milhões de livros vendidos e traduzidos para 30 idiomas, Isabel diz que ainda enfrenta o ceticismo de certos críticos literários de seu próprio país.

"Nos Estados Unidos e na Europa não é nenhum pecado que um escritor venda muito, mas no Chile sim. Quando um livro se torna um best-seller, automaticamente é considerado de baixa qualidade", criticou a autora.

A autora de "A Casa dos Espíritos" (1982) assegurou que não pensa em voltar para o Chile, porque seu marido, filhos e netos vivem na Califórnia, mas reconheceu que o Chile "sempre estará dentro" dela.

Isabel foi ao festival acompanhada de seu marido, o advogado e escritor americano William Gordon, que apresentará na Flip sua mais recente obra, "The Ugly Dwarf", um romance de intrigas policiais.

A 8ª edição da Flip, que começou ontem e vai até domingo, contará amanhã com a presença do escritor britânico de origem indiana Salman Rushdie, autor de "Versos Satânicos".