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04/04/2006 - 18h52
110 anos de Alfredo Volpi são celebrados com retrospectiva no MAM-SP; veja obras
Da Redação


50 anos depois de sua primeira mostra individual no MAM, Alfredo Volpi retorna ao Museu de Arte Moderna de São Paulo, na comemoração dos 110 anos de seu nascimento. A retrospectiva "Volpi: A Música da Cor" apresenta, a partir desta quinta-feira, dia 6, 135 pinturas do artista, sendo que 20 delas são inéditas.

O curador, Olívio Tavares de Araújo, é o mesmo que, em 1975, ajudou a organizar a exposição "Volpi: 90 Anos", no mesmo MAM. Foi a última retrospectiva em vida do pintor, que morreu em 1988. Nesta que o museu agora abre, não há preocupação em dividir a obra de Volpi em cronologia ou fases, mas a de criar um ritmo visual.

Afinal, a exposição tem auxílio da Sociedade para Catalogação da Obra de Alfredo Volpi, que desde 1993 já documentou 2.300 obras do artista, inclusive pinturas na casa de amigos e conhecidos de Volpi _origem das 20 telas inéditas.

"As duas retrospectivas anteriores, as quais tive o prazer de organizar, estavam voltadas para a sustentação de teses em torno da obra volpina", diz Olívio Tavares de Araújo. "Esta exposição, ao contrário, vem para mostrar às antigas e às novas gerações de espectadores fundamentalmente a qualidade e a beleza produzida por um grande e inventivo pintor", complementa o curador.

Olívio Tavares de Araújo, que é também cineasta (responsável por 30 curtas-metragem que registram o processo de artistas como Farnese de Andrade e Rebolo), tem seu documentário "Volpi", de 1976, restaurado e exibido durante a exposição "Volpi: A Música da Cor". Outro destaque da mostra é obra em grande formato, sem título, com mais de três metros de altura (que faz parte do acervo do Banco Central, em Brasília), que só foi vista uma única vez em São Paulo, nos anos 70, na extinta Galeria Collectio.

Mas o curador ressalta que tamanho não é tão importante. "Há quadros de pequenos formatos que são lindos e poéticos. E fiz questão de inclui-los. Formato e tamanho, afinal, não são a maior garantia de qualidade", ressalta Olívio.

110 anos de Alfredo Volpi

Alfredo Volpi nasceu em 14 de abril de 1896, na cidade de Lucca, na Itália. Mas logo no ano seguinte sua família se muda para o Brasil, escolhendo o bairro do Ipiranga, na capital paulista, como morada. Começa como pintor-decorador nas casas das famílias ricas de São Paulo, trabalho que mantém até a década de 40 _ já que não era possível viver através do mercado da arte, então incipiente no Brasil.

Participa da primeira exposição em 1925, na 2ª Exposição Geral de Belas-Artes. Recebe críticas negativas, mas vende um quadro, o suficiente para motivá-lo. Em 1928, recebe medalha de ouro no Salão de Belas Artes Muse Italiche. Na década de 30, passa a integrar o Grupo Santa Helena, junto de Fulvio Pennacchi e Francisco Rebolo, por exemplo.

A primeira mostra individual vem apenas em 1944. Em 1951, participa da 1ª Bienal de São Paulo, que lhe rende o convite para a Bienal de Veneza de 1952. Impulsionado, volta a expor nas duas Bienais logo na sequência, nos anos de 1953 e 1954. Nova exposição individual vem em 1956, no próprio MAM-SP (que segue em 1957 para o MAM-RJ).

Em 1961, na 6ª Bienal de São Paulo, Alfredo Volpi ganhou sala especial. Retornou à Bienal paulistana em 1979, depois de duas retrospectivas (em 1972 e 1975). Morreu no dia 28 de maio de 1988.


VOLPI: A MÚSICA DA COR
» Onde: MAM-SP - Grande Sala
(Parque do Ibirapuera, s/nº - Portão 3)
» Quando: Abertura, 5 de abril; visitação, de 6 de abril a 2 de julho
(terças a domingos e feriados, das 10h às 18h)
» Quanto: R$ 5,50
» Informações: (11) 5549-9688 e www.mam.org.br

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