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22/03/2006 - 15h58
Museu de Roma exibe as formas puras de Iran do Espírito Santo



Roma, 22 mar (EFE) - As formas puras do artista brasileiro Iran do Espírito Santo serão expostas até o dia 30 de abril no Museu das Artes Contemporâneas do Século XXI (Maxxi), um lugar para quem procura um pouco de ar fresco fora do circuito tradicional da Roma antiga e renascentista.

Caixas de papelão, latas de aço inoxidável sem marca, velas de alumínio e tijolos em branco e preto são alguns dos objetos cotidianos que Espírito Santo transforma em universais, através da sublimação de suas formas e materiais.

Segundo o comunicado preparado para a exposição, o trabalho do artista brasileiro está ligado à "linha de pensamento estético que nasce nos anos 80 e chega aos dias de hoje, e que investiga de forma profunda a natureza do objeto, através da cópia e do simulacro".

A exposição contém uma série de trabalhos recentes, que representam precisamente essa linha de pesquisa de forma exaustiva.

A trajetória começa por um mural de tijolos em branco e preto, que explora os gamas de cinza através de uma geometria simples e repetitiva que, "como uma pauta musical, antecipa e define sua opção: a visibilidade pura e a definição da forma no espaço". A parede, para muitos, pode parecer uma metáfora da vida cotidiana e seus muros burocráticos, trabalhistas e sociais.

A exposição de Iran do Espírito Santo, nascido em 1963 e com reconhecimento internacional, está inserida na busca de Paolo Colombo, comissário do Maxxi, de uma coleção permanente da instituição.

Embora tenha sido inaugurado em 2003, o Maxxi está ainda em construção. O mesmo acontece com a sua coleção permanente, que se alimenta em boa parte de pintores, escultores e artistas contemporâneos em geral cujos trabalhos estejam sendo exibidos em exposições individuais. Duas das obras de Espírito Santo expostas neste momento formam parte dessa coleção.

Paolo Colombo explicou à EFE a importância do brasileiro na arte contemporânea. Ele o definiu como "um artista de grande impacto", para o Brasil e a América Latina em geral, por seu peso na vanguarda contemporânea.

Os diretores do Maxxi esperam que as obras e a coleção permanente fiquem prontas até 2008. Será um novo espaço para a arte em Roma, uma cidade com uma tradição mais ancorada na arte antiga, religiosa, renascentista e barroca.

Colombo reconheceu que a arte contemporânea de Roma é pouco vista pelo público estrangeiro, mas muito apreciada pela população da cidade. Ele espera que instituições como o Maxxi sirvam para divulgar também este aspecto da vida cultural romana.

Ao lado das obras de Iran do Espírito Santo estarão as de um dos artistas contemporâneos italianos mais reconhecidos, Francesco Clemente, que com suas pinturas propõe uma viagem pelo Oriente e Ocidente. Ele enfrenta, segundo Colombo, "a questão da espiritualidade com 12 telas dedicadas filosoficamente à iconografia da Índia e 14 pinturas em pastel relacionadas diretamente à iconografia cristã".

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