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10/03/2006 - 15h02
São Paulo revê mostra de arte moderna idealizada por JK; veja imagens
AUGUSTO OLIVANI
Da Redação



A partir de domingo, 12, em SP, o Salão Cultural da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado) recebe exposição que remonta pioneira mostra de arte moderna realizada em Belo Horizonte, no ano de 1944. Pegando carona na minissérie "JK", da Rede Globo, e antecipando os 30 anos de morte (agosto) de Juscelino Kubistchek, a mostra "O Olhar Modernista de JK" alimenta a aura cosmopolita que ronda o ex-prefeito de BH, ex-governador de MG e ex-presidente.

Com curadoria de Denise Mattar, "O Olhar Modernista de JK" foi primeiro montada em 2004, no Palácio da Alvorada, para marcar os 60 anos da exposição original, chamada "Arte Moderna 1944" e apelidade de "Semaninha de Arte Moderna", em alusão à paulista de 1922.

Na ocasião em que era prefeito de Belo Horizonte, Juscelino decidiu reunir tanto grandes quantos novos nomes da arte brasileira em grande mostra que seria realizada no recém-construído complexo da Pampulha, um dos primeiros conjuntos modernistas do mundo, idealizado por Oscar Niemeyer.

Uma grande produção, que teve entre os curadores o pintor Alberto Guignard, acabou por reunir 134 obras de 46 artistas diferentes, entre eles Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi, Anita Malfatti, Burle Marx, Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Iberê Camargo e Lasar Segall.

A curadora, Denise Mattar, afirma que se trata da maior exposição que aconteceu na época: "depois da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, e do Salão Revolucionário de 1931, no Rio de Janeiro, está é a mais marcante mostra dos anos 40 e a mais polêmica desde a de 22".

Para Mattar, porém, a mostra ficou esquecida pois, no fim dos anos 40, foram fundados os Museus de Arte Moderna do Rio e de São Paulo, além do Masp, momento que, para ela, marca o início de "exposições mais institucionalizadas". E foi exatamente por isso que Denise se aprofundou na pesquisa, que começou em 2003 e se estendeu até metade de 2004 ("O Olhar Modernista de JK" foi primeiro apresentado no fim de 2004 em Brasília).

Uma das principais dificuldades na remontagem da mostra foi a recuperação das obras originais. A que é apresentada em São Paulo conta com 133 obras _90 que eram da exposição, dessas sendo 50 as mesmas da mostra original. A diferença, 40 obras, não puderam ser identificadas com exatidão e por isso foram selecionadas por aproximação (por exemplo, Guignard pintou mais de um "Retrato de Senhora" e "Retrato de Menino", nomes que figuram no catálogo, e assim Denise escolheu alguma dessas representações de mesmo nome).

"Recuperei dois catálogos originais da mostra, um ilustrado e outro não", conta a curadora. "Passei uma semana no arquivo do jornal O Estado de Minas, levantando informações da época, além de visitar arquivos da imprensa carioca e paulistana. Assim, consegui saber com precisão quais eram as obras, mesmo que de algumas não se saiba o paradeiro".

A principal dificuldade na identificação, segundo Denise Mattar, é que o catálogo, mesmo sendo o mais rico já apresentado no Brasil à época, não acompanhou o ritmo de adição de obras, por se tratar de uma exposição grandiosa.

E qual seria o tal "olhar modernista de JK"? Além de contratar os trabalhos de um expoente arquitetônico do movimento como Oscar Niemeyer, ele teve sensibilidade de trazer caravana de artistas do Rio de Janeiro para Belo Horizonte, para que pudessem ver a exposição, e fez o mesmo com artistas paulistas _a viagem de trem de SP a BH durava 27 horas.

"Oswald de Andrade clamava, na ocasião, que era uma modernidade estar em Belo Horizonte", diz Denise Mattar. "Depois de 22, o espírito do modernismo renasceu em BH, por conta do Juscelino", afirma.

A mostra "O Olhar Modernista de JK" conta com quatro núcleos. O primeiro remonta a exposição de 44. O segundo tem painéis com textos e imagens que destacam a relação de Juscelino com a classe artística brasileira ("ele falava de arte nos discursos, recebia artistas e frequentava vernissages", conta a curadora). O terceiro faz tributo a um talento esquecido da arte brasileira, Marta Loutsch, que tem sala especial _com 40 quadros_ para relembrar a obra de artista mineira que também participou da mostra original. Já o quarto ilustra panorama dos anos 40, apresentando peças de publicidade, roupas e adereços da época.

O OLHAR MODERNISTA DE JK
» Quando: de 12/3 a 23/4
(de ter. a sex., das 10h às 20h; sáb., dom. e feriados, das 13h às 17h)
» Onde: FAAP - Salão Cultural (Rua Alagoas, 903, prédio I - Higienópolis)
» Quanto: Grátis

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