1977

A 14ª Bienal Internacional de São Paulo foi a primeira após a morte de seu fundador, e principal dirigente, Francisco Matarazzo Sobrinho. Sem o comando de Ciccillo, a Bienal foi organizada pelo Conselho de Arte e Cultura (CAC).

Pela primeira vez a escolha das obras internacionais não ficou a critério exclusivo das representações do países. Por deliberação do CAC, os países deveriam fazer as seleções enquadrando-se em um dos sete temas propostos para o evento: "Arqueologia do urbano", "O muro como suporte de obras", "Grandes confrontos", "Proposições contemporâneas", "A vídeo-arte", "Poesia espacial" e "Arte não catalogada". Apesar dos aspectos positivos da medida, os critérios eram um tanto "abertos" e o resultado foi muito próximo da falta de coesão que caracterizava as representações nacionais desde a primeira Bienal.

A exposição de 1977 ficou marcada por uma grande polêmica gerada pela premiação do "Grupo dos Treze", coletivo argentino ligado ao Centro de Artes e Comunicações de Buenos Aires (CAYC). O grupo trouxe uma complexa e bem montada instalação intitulada "Signos em Eco-Sistemas Artificiais". A obra casou forte impacto visual com a articulação de instalações que utilizavam terra, arame farpado, pedaços de carne, madeira, gaiolas com pássaros e batatas.

Quando foi anunciado o prêmio aos argentinos, o artista Frans Krajcberg indignou-se e acusou o grupo de ser formado por artistas ricos e que contavam com o apoio de um mecenas milionário para financiar a elaborada montagem, o que haveria desequilibrado o certame.

Concomitante à querela em torno do prêmio concedido aos argentinos, os únicos latino-americanos a receber a distinção máxima da Bienal, a 14ª edição teve como destaque os temas ecológicos. Com o tema "A recuperação da paisagem", a representação brasileira mostrou trabalhos que abordavam a destruição da natureza, a miséria e que propunham ampliar as possibilidades de leitura sobre a ecologia.

Frans Krajcberg, um dos primeiros no Brasil a trabalhar com temas ambientais, apresentou uma exposição de esculturas feitas com raízes e madeira. O artista também ganhou um prêmio da Bienal, mas considerou o valor irrisório e incompatível com o seu histórico nas artes. Revoltado, Krajcberg recusou o prêmio e retirou suas obras da exposição.

Autor do cartaz

- Regis Madureira Cardieri

Prêmio Itamaraty

- Grupo de los Trece (Argentina)

Prêmio Bienal de São Paulo

- Equipe Arte/Ação (Brasil)
- Equipe Bóias Frias (Brasil)
- Emilio Isgró (Itália)
- Frans Krajcberg (Brasil)
- Yutuka Matsuzawa (Japão)
- João das Neves (Brasil)
- Lydia Okumura (Brasil)
- Dimitri Ribeiro(Brasil)
- Hildegard Rosenthal (Brasil)
- Roverto Sandoval (Brasil)
- Regis Madureira Cardieri - Cartaz

Fontes

- Arquivos Folha de S. Paulo
- "As Bienais de São Paulo / 1951 a 1987", de Leonor Amarante
- "Bienal 50 anos", organizado por Agnaldo Farias
- Site oficial do Museu de Arte Moderna de São Paulo
- Fundação Bienal de São Paulo.

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