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18/12/2006 - 21h52

Presidente da Bienal avalia 27ª edição

Da Redação

Presidente da Fundação Bienal desde 2002, o advogado e administrador Manoel Francisco Pires da Costa considera que o ponto alto da 27ª Bienal Internacional de São Paulo foi o projeto educativo, parte menos aparente e divulgada da mostra que se encerrou no último domingo, 17, com registro de menor visitação que as edições anteriores, com um total de 535 mil visitantes.

Vindo do mercado financeiro, Pires da Costa foi membro e vice-presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Valores de São Paulo, membro do Conselho Superior de Economia da Fiesp/Ciesp/Cose. Em 2001, foi diretor do Museu de Arte de São Paulo. É membro do Conselho da Associação Comercial de São Paulo.

Na entrevista a seguir, feita por e-mail, Pires da Costa avalia a 27ª edição da Bienal.

UOL - Que balanço o senhor faz desta 27ª Bienal Internacional de São Paulo?
Manoel Pires da Costa - Depois de quase dois anos de trabalho e 65 dias de exposição (7/10 a 17/12), considero que os resultados atingidos foram excelentes: oferecemos uma mostra internacional de qualidade; criamos um programa educativo que resultou no agendamento de 100 mil visitas de estudantes, mobilizamos os moradores da periferia para visitas à mostra, e, mais uma vez, proporcionamos o acesso gratuito da população à Bienal.

UOL - Quais os grandes destaques desta Bienal?
Manoel Pires da Costa - Sem dúvida nenhuma, o projeto educativo foi um das maiores atrações da 27ª Bienal. Desta vez, o projeto foi desenvolvido com base em dois eixos: um voltado para as escolas -- que resultou na capacitação de 800 professores das redes pública e privada e na preparação e distribuição de material de apoio para explicações em sala de aula -- e outro para comunidade -- com a instalação de cinco núcleos de discussão na periferia da capital: dois na zona sul, CEU Casa Blanca e JAMAC; dois na zona leste, CEU Aricanduva e CEU Parque São Carlos e um na zona noroeste, CEU Vila Atlântica.
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UOL - Qual era a meta desta edição da Bienal?
Manoel Pires da Costa - A proposta da Bienal para este ano era, a partir da base sólida construída ao longo dos últimos cinqüenta anos nas classes A/B, ampliar a participação dos brasileiros que estão na base da pirâmide, levar-lhes informação sobre arte contemporânea, mobilizá-los por meio de lideranças locais e qualificar a visita com apoio de monitores. Consideramos que esta meta foi alcançada, pelo trabalho do projeto educativo, como foi respondido na pergunta anterior.

UOL - O senhor considera esta Bienal polêmica?
Manoel Pires da Costa - A Bienal é ousada. Suas mostras, felizmente, sempre mexem com as pessoas. É um indicador do interesse que desperta na sociedade. Nesta mostra, apresentamos cerca de mil trabalhos de 118 artistas.

UOL - O público desta Bienal deve ser menor comparativamente ao das Bienais passadas. O que significa este número?
Manoel Pires da Costa - A Bienal não se preocupa com números. Preocupa-se com qualidade. Neste ano, trabalhamos para ampliar a participação das camadas menos favorecidas. Esse é um projeto que deve ser contínuo. A visão mais ampla do trabalho iniciado agora, tenho certeza, poderá ser apreciado melhor nos próximos anos. A 26.ª Bienal foi realizada durante 89 dias - pouco mais de 9 mil de média mensal. A 27.ª durou 64 dias, com média de 8 mil pessoas por dia.

UOL - Como será a representação brasileira na Bienal de Veneza?
Manoel Pires da Costa - As definições sobre a Bienal de Veneza estão sendo discutidas e serão anunciadas em janeiro.

UOL - Quais são os próximos projetos da Fundação Bienal?
Manoel Pires da Costa - A primeira coisa a fazer será o processo de escolha do projeto da 28ª mostra. Estamos avaliando várias possibilidades. Uma delas é ouvir especialistas juntamente com a Bienal para estabelecer mecanismos. A partir disso, serão dois anos de planejamento e intenso trabalho que começa logo após a escolha do curador.