
30/10/2006 - 16h16Palestras e discussões sobre Acre fecham ciclo de seminários da BienalDa Redação
Em 1904, o Acre foi comprado da Bolívia. O governo brasileiro estimulou então a ocupação da área por seringueiros, para tornar o território uma parte, de fato, da República nascida 15 anos antes. Nessa fusão de "ritmos diferentes de vida" -dos seringueiros e dos povos que ocupavam anteriormente a floresta, em um país nascente- a 27ª Bienal de SP encontrou um ponto de conexão com a obra de Roland Barthes, que norteou a pesquisa do tema "Como Viver Junto". E nos próximos dias 10 e 11 de novembro (sexta e sábado), um seminário internacional encerra o ciclo desses eventos no Pavilhão do Ibirapuera.
O seminário, organizado pelo co-curador José Roca, discutirá fronteiras, territórios e conflitos entre os povos que convivem na região, presente na 27ª Bienal em obras do artista Hélio Melo, ali nascido, e de estrangeiros que fizeram residência, patrocinada pela Bienal, em Rio Branco e áreas circundantes. São eles: Alberto Baraya, Marjetica Potrc e Susan Turcot. O colombiano transpôs para sua obra o aspecto econômico e produtivo da região; a eslovena Potrc refletiu sobre a interação entre educação e tecnologia em áreas afastadas da floresta amazônica; e Turcot, canadense, interessou-se pela cultura autóctone e o impacto nela da construção da rodovia Transamazônica. O presidente da Bienal, Manoel Francisco Pires da Costa, e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participarão da abertura do evento, na sexta (10). Abaixo, veja a programação do seminário: PROGRAMA: 10 de novembro 18h - credenciamento 19h - conferência: "Índios isolados e o direito à terra" - José Carlos Meirelles 19h45 - conferência: "Cosmopolitanismo e as geografias de liberdade" - David Harvey 20h30 - debate 21h30 - encerramento 11 de novembro MANHÃ 10h - conferência: "A fronteira amazônica como voragem da história: impasses de uma representação literária" - Francisco Foot Hardman 10h45 - coffee break 11h - conferência: "Conhecimento tradicional e conhecimento científico podem viver juntos? O exemplo do Acre" - Manuela Carneiro da Cunha 11h45 - debate TARDE 15h - conferência: "Uma situação intolerável" - Jimmie Durham 15h45 - coffee break 16h - conferência: "Será que a arte pode nos ensinar a viver junto?" - Thierry de Duve 16h45 - debate 18h - encerramento Conheça os conferencistas: José Carlos Meirelles: Indigenista da Fundação Nacional do Índio (Funai). Desde 1988, fixou-se na cabeceira do rio Envira, no Acre, onde reside. Sua conferência "Índios isolados e o direito à terra" aborda a legislação sobre a propriedade indígena e formas de contato com a população branca. A garantia do território de índios isolados não pode depender do contato desses grupos com a sociedade envolvente. Eles têm direito à terra e a permanecerem isolados, exercendo sua cultura independentemente do contato com outras. David Harvey: Professor de antropologia no programa de pós-graduação da City University de Nova York, onde vive. Sua conferência "Cosmopolitanismo e as geografias da liberdade" aborda como tratar princípios culturais, morais e éticos universais em tempos caracterizados por diferenças geográficas tão marcantes. Muitas vezes, ideais universais de liberdade e independência são ferramentas para exercer domínio sobre outros povos. O estudo de conceitos geográficos básicos tais como espaço, lugar e meio ambiente indica uma via de emancipação que permite a associação de aspirações e desejos particulares na construção de modos mais humanos de se viver num mundo globalizado. Francisco Foot Hardman: Professor-titular de Literatura e Outras Produções Culturais do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Sua conferência "A fronteira amazônica como voragem da história: impasses de uma representação literária" aborda arquétipos da representação literária da Amazônia a partir de prosas ficcionais e não-ficcionais de autores como os colombianos José Eustasio Rivera e Alvaro Mutis e os brasileiros Inglês de Souza, Euclides da Cunha, Alberto Rangel, Márcio Souza e Milton Hatoum. Serão examinados os respectivos contextos históricos e o argumento recorrente de que as fronteiras amazônicas constituem um território "à margem da história". Fronteira que é tomada, não só no sentido geográfico, mas também simbólico e histórico-literário. Manuela Carneiro da Cunha: Antropóloga membro da Academia Brasileira de Ciências e professora da Universidade de Chicago, onde reside. Sua conferência "Conhecimento tradicional e conhecimento científico podem viver juntos? O exemplo do Acre" aborda o diálogo entre o conhecimento tradicional da região e a ciência ocidental contemporânea. Dois exemplos serão discutidos: o da recém-criada Universidade da Floresta e o caso do kampô, secreção de pele de uma perereca, cujo uso se difundiu a partir dos katukina e outros grupos indígenas do Acre. Thierry de Duve: Historiador e teórico da arte contemporânea, professor da Universidade de Lille. Reside em Paris. Sua conferência "Será que a arte pode nos ensinar a viver junto?" aborda a percepção de comunidades políticas como obras de arte. A questão é saber se, na construção de comunidades políticas, as experiências inovadoras são vistas como modelos de criatividade artística, ou vice-versa. Sua fala tentará desfazer o nó filosófico perguntando qual deveria ser o status da comunidade estética perante a política. 6º Seminário Internacional da 27ª Bienal de SP - "Acre" » QUANDO - 10 e 11/11 (sex. e sáb.) » ONDE - Auditório da Fundação Bienal de São Paulo. Inscrições: (11) 5576-7600 - ramal 7678 (com Gabriela) - Fax: (11) 5549-0230 - seminarios27bsp@bienalsaopaulo.org.br » QUANTO - R$ 52,00 e R$ 27,00 estudantes - para os dois dias |
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