
Coletivo Eloísa Cartonera quer deixar projeto no BrasilDa Redação
Até 17 de dezembro, funciona, na 27ª Bienal Internacional de São Paulo, uma sucursal do núcleo de artistas e artesãos Eloísa Cartonera, sediado em Buenos Aires, mais precisamente na Boca, na vizinhança do Estádio do Boca Juniors. "Trabalhamos todos os dias na Bienal, comprando papel dos catadores paulistanos, e através do movimento nacional de catadores de materiais recicláveis, três filhos de catadores trabalham conosco fazendo livros. Vendemos os livros a R$ 5, com a intenção de gerar um projeto auto-sustentável que continue trabalhando depois que nós voltemos para a Argentina", diz Javier Barilaro, desenhista e responsável pelos projetos gráficos dos livros do Eloísa.
O coletivo foi fundado em 2003. É um projeto social e comunitário dirigido por Washington Cucurto, Barilaro e Fernanda Laguna. No espaço que alugam em Buenos Aires, artistas e coletores de papel transformam em capas de livros o papelão recolhido nas ruas da cidade. Os livros são vendidos a preços baratos nas ruas, em espécies de atos-performances e em algumas livrarias, e com sua venda o projeto se mantém. Os textos publicados são de autores de escritores latino-americanos que autorizam a publicação. "Temos intenção de expandir nosso projeto até os bairros marginais na Argentina e até outras cidades da América Latina", contou Barilaro, em entrevista. A seguir, ele fala de suas impressões: O grupo Nós somos um grupo que faz escultura social a partir da literatura e da arte, gerando um espaço de criatividade onde se mesclam catadores com artistas e escritores. Fazemos livros e outros objetos artísticos, tentamos que os catadores se aproximem da arte de maneira concreta. Publicamos nos livros literatura de toda a América Latina. São Paulo São Paulo é similar a Buenos Aires em muitos aspectos. Há grandes artistas muito informados sobre o que acontece nos países centrais e uma grande quantidade de pessoas em situação marginal. Estamos no Brasil, trabalhando com brasileiros, porque a idéia foi vir para cá não para exportar uma idéia e sim para vivê-la com os locais. A impressão que temos é muito boa. Realmente brasileiros e argentinos temos mais em comum que eu acreditava antes de vir. "Como Viver Junto" Creio que é o que nos perguntamos sempre em nosso grupo. Parece que o tema foi feito para nós! Bienal O que mais me interessou foi o JAMAC, pelo que podemos aprender com sua experiência. O trabalho do JAMAC está diretamente conectado ao nosso. Em geral, os artistas com quem tivemos diálogo entenderam nossa proposta. No meu caso particular, me senti alheio das propostas muito conceituais e esteticistas. De Thomas Hirschhorn tivemos uma grata impressão de sua pessoa, ele gostou muito de nosso trabalho e nos sentimos irmanados pelo uso do mesmo material, o papelão. Ainda que a diferença seja notável - ele trabalha de maneira simbólica. Com o Taller Popular de Serigrafia tivemos muito diálogo. Temos muitos problemas em comum, sobre como trabalhar como coletivo artístico. Gostei de Marcelo Cidade e de Jarbas Lopes e o projeto rio-amazonas, por seu estilo divertido e não-prolixo. Me surpreende que nos tenham convidado, que saibam que existimos. Acho muito bom que deixem de existir as representações nacionais, conhecendo as autoridades argentinas e seu desejo de selecionar artistas que parecem europeus. O Brasil Muito agradável o trato humano dos brasileiros em geral. Muito trabalhadores os paulistas da Bienal, sempre predispostos ao trabalho e ao encontro de soluções. Muito boa a recepção ao nosso trabalho. Realmente levamos uma boa impressão. Muita vontade de fazer mais coisas no futuro. |
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