
Baraya fala sobre seu herbário e impressões da BienalDa Redação
O colombiano Alberto Baraya tem dois trabalhos na 27ª Bienal Internacional de São Paulo. O que ganhou maior destaque na cenografia da exposição é o "Projeto de Árvore de Borracha", e se realizou durante a residência que o artista fez Estado do Acre, a convite da Bienal, durante dois meses no primeiro semestre de 2006. A peça é um molde de uma seringueira de 20 metros, feita de borracha de outras seringueiras. "É uma pele da seringueira muito leve, mas muito contundente", diz o artista. O convite da Bienal "foi a oportunidade de levar a cabo a idéia inicial de um projeto que sem ele se tornaria um enunciado utópico", segundo o artista.
O outro projeto, que nasceu há 3 anos e continua para além da Bienal, é o "Herbário de plantas artificiais", que consiste em uma coleção-estudo, "à maneira das expedições científicas européias dos séculos 18 e 19", mas que, diferentemente destas coletas realizadas por cientistas, trabalha com plantas de pano e de plástico. Entre as obras da 27ª Bienal que têm paralelo com este trabalho, Baraya cita as de Marcel Broodthaers (1924-1976), artista precursor na discussão sobre museologia, documentação, catalogação e que em suas obras trata do imbricamento entre estes procedimentos organizativos oriundos da ciência e a sintaxe artística. A Bienal destinou uma praça para as obras de Broodthaers. Em entrevista ao UOL, um mês depois da abertura da mostra, Baraya comenta suas impressões. Experiência única Estive em São Paulo e em Rio Branco para a residência artística. Foi uma experiência única. O convite da Bienal foi a oportunidade de levar a cabo a idéia inicial de um projeto que sem ele se tornaria um enunciado utópico. "Como Viver Junto" Creio que foi um excelente enunciado para o contexto de uma exposição como a Bienal de São Paulo. Para uma mostra das dimensões desta Bienal, com seus objetivos gerais de apresentar-se como termômetro de momentos artísticos, a metodologia temática é uma opção clara. E, se além de propor um tema que reflete os mesmos objetivos prévios e propõe também uma reflexão sobre a política, a sociologia e -porque não- sobre a idéia mesma de por que fazer arte, o enunciado é uma proposição ideológica em si mesma. Diálogos com outras obras Dentro das formas de fazer arte hoje em dia, existem várias estratégias que recorrem às metodologias científicas de análise e, por outro lado, a de propor uma reflexão acerca das formas de exposição próprias do mundo da arte. Deste ponto de vista, a obra do "Herbário de plantas de artificiais" coincide com várias propostas do núcleo "Marcel Broodthaers", com pontos de encontro em "A vitrine" e a "As formas de exposição Museística do século 19". Há também encontros com a obra de Mabe, Rivera, ou, por exemplo, com a chave de viagem como forma de encontro cultural na obra de Raimond Chaves e Gilda Montilla. Uma obra que também me impactou, não só pelas coincidências, foi a do coletivo "Long March Project", de Beijing. O Melhor da Bienal Os filmes-divertimento dos portugueses João Maria Gusmão e Pedro Paiva, os mapas psicológicos de Simon Evans, como una forma de viagem e análises, e as imagens fotográficas de Pieter Hugo. Papel das Bienais Exposições deste tipo colocam em "situação social mediática" as atividades artísticas e os interesses de milhões de pessoas. Quer dizer que o megaevento cíclico de relevância apresenta o mundo da produção e a proposição artística em outras esferas da atividade humana, que de outro modo passariam quase despercebidas. É importante a permeabilidade a estas outras esferas. Projeto atual O "Herbário de plantas artificiais" é um projeto que estará em desenvolvimento por muito tempo ainda. No momento, também estou desenvolvendo projetos ao redor de estratégias de viagem e do tema do turismo. O Brasil Como se diria em linguagem coloquial de Bogotá: "Buena Vibra!!!" (boa vibração) |
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